Fabiana de Sanctis em entrevista exclusiva para a L'Officiel Brasil
Fabiana de Sanctis fala sobre empreendedorismo, turismo, sustentabilidade, hotelaria e muito mais! Confira!
Fabiana nasceu com o turismo já no sangue e ao longo dos anos se especializou no segmento com muita expertise, dedicação e amor para liderar os negócios da família. Sempre pioneira na área, a empresária une no seu cotidiano profissional - repleto de desafios - sustentabilidade, luxo, e visão apurada para relacionamentos e investimentos.
Frequentando Fernando de Noronha desde os 5 anos de idade, lugar paradisíaco com o qual tem uma forte ligação sentimental, Fabiana nos conta um pouco sobre seu trabalho de turismo na ilha e muito mais. Confira!
FABIANA: Ser empresária no Brasil já é desafiador, especialmente devido às questões econômicas e políticas do país, bem como a burocracia excessiva e a falta de incentivos fiscais. No entanto, apesar dessas dificuldades, ainda conseguimos obter sucesso devido ao amor que sentimos pelo nosso negócio, pela garra e pela vontade de que ele dê certo. Isso nos leva a enfrentar vários leões por dia. Tornar nosso negócio inovador, focado no cliente e em seu bem-estar, surpreendê-lo e focar na excelência faz a gente ficar disposto a enfrentar todos esses desafios diários e lidar com muitas incertezas.
F: Como empresários em Fernando de Noronha, temos a responsabilidade de seguir rigorosamente todas as restrições ambientais impostas pelo ICMBio, já que a ilha é um Patrimônio Natural da Humanidade. Precisamos seguir leis e regulamentos específicos em relação ao uso do solo, descarte de resíduos, conservação da flora e fauna, e muito mais. Trabalhamos em estreita colaboração com organizações locais e seguimos projetos de sustentabilidade que nos permitem reduzir nossa pegada ecológica. Investimos em práticas sustentáveis, como a redução do uso de plástico, utilização de fontes de energia renovável, e apoiamos iniciativas de preservação ambiental. Esses desafios também oferecem muitas oportunidades para crescer e inovar como empresários. A ilha é um destino turístico aspiracional e tem muita demanda por atividades ao ar livre, hospedagem de qualidade e experiências autênticas e sustentáveis. Continuamos a explorar maneiras de melhorar nossos serviços e oferecer novas experiências para nossos clientes, sempre mantendo nosso compromisso com a proteção e preservação do meio ambiente. Em resumo, ser uma empresária em Fernando de Noronha é um desafio, mas também é uma oportunidade única de fazer a diferença e contribuir para a proteção de um patrimônio natural tão especial.
F: Muito se fala sobre sobre os valores majoritariamente excessivos na ilha, porém pouco se explica sobre a difícil logística que enfrentamos. Praticamente 100% dos nossos funcionarios não sao ilhéus, esses herdaram qualquer tipo de negocio por la e pouco se interessam em trabalhar pra empreendimentos. Para esses funcionários de fora, temos que fornecer transporte aéreo, acomodação de qualidade, alimentação fora todos os deveres de qualquer empresa. É uma mão de obra extremamente cara. A ilha não possui indústria e tudo que usamos no hotel vem de Recife, desde água atá açúcar. Os altos valores da carga aérea e marítima elevam - e muito - nossos valores finais. Existe um extenso protocolo com liberação para colocar qualquer funcionário ali. Toda obra ou reforma precisa de um processo bem mais extenso que no continente. Os valores da ilha refletem essa nossa dificuldade.
L'OFF: Como foi essa “descoberta” de Fernanda de Noronha?
LOFF: Quais são suas ligações com a ilha?
F: Por conta da administração do hotel desde 1982, (tinha 5 anos), frequento a ilha desde criança, passei muitos meses por lá, sempre me dividindo entre Noronha e Recife. O vínculo que tenho é para o fim da vida. Vai muito além do trabalho, é minha história e onde minha alma se sente em casa. Lá aprendi a respeitar o mar e a natureza, a nadar como peixe, a dançar e a explorar os lugares mais inusitados. Desde 2000 sou Diretora Comercial, recebo muitos artistas e hóspedes com muito carinho e tenho paixão por mostrar um pouco de Noronha para eles.
L'OFF: Como você enxerga o turismo da ilha?
F: Acredito que o turismo consciente e respeitoso à natureza é fundamental para o desenvolvimento sustentável da ilha. O turismo é a principal fonte de renda da ilha e, portanto, deve ser gerenciado de forma a minimizar seus impactos ambientais e sociais. Atualmente lutamos contra o número excessivo de acomodações e negócios clandestinos - que, além de não pagarem impostos, aumentam exponencialmente o número de turistas numa ilha que tem um número máximo de visitantes permitidos por dia. Noronha é um patrimônio natural da humanidade, e sua biodiversidade e paisagens únicas, são as principais atrações para os visitantes. Por isso, é importante que os turistas sejam conscientes e respeitosos em relação ao meio ambiente, à cultura local e às práticas de turismo. Precisamos trabalhar juntos como empresários do turismo e governo para educar e conscientizar nossos clientes sobre a importância da preservação ambiental, além de incentivá-los a adotar práticas responsáveis em suas viagens. Assim, podemos garantir que o turismo em Fernando de Noronha seja uma fonte de benefícios para a ilha e para as futuras gerações.
L'OFF: Quais são os principais pilares que você segue em seus empreendimentos para manter uma estrutura confortável em meio a natureza?
F: Seguimos alguns pilares fundamentais para manter uma estrutura confortável mas em concordância com a natureza. Um deles é a sustentabilidade, que é uma prioridade em todas as atividades. Nossas construções são quase que 100% ecológicas, em sua maioria elevadas e sem uso do solo, o que permite a preservação da fauna e flora local. Utilizamos práticas de esgoto tratável, energia solar, carros elétricos para transporte interno e incentivamos nossos hóspedes a utilizarem meios de transporte sustentáveis, como bicicletas. Como não existe nascente na ilha , o uso responsável da água é outro aspecto fundamental em nossas atividades. Incentivamos o uso de toalhas e roupas de cama com troca somente com 3 dias. Por fim, valorizamos a produção local e o consumo consciente. O Dolphin possui apiário e galinheiro, produzimos nosso mel e ovos. Além de algumas frutas, legumes e hortaliças. Trabalhamos, também, em parceria com produtores locais para oferecer produtos frescos e de qualidade. Nossa vegetação é 100% nativa e permeia toda a propriedade. Buscamos oferecer uma experiência única aos nossos hóspedes, unindo conforto e bem-estar com a preservação do meio ambiente.
LOFF: Na sua visão, qual o roteiro perfeito para fazer?
F: Na minha opinião, 5 noites é o mínimo para dizer que conhece realmente Noronha. Existem muitos passeios e muitas praias para serem curtidas. Se você quiser realmente desbravar a ilha e não somente ir em pontos turísticos pra colocar no Instagram, vai precisar de tempo para conhecê- la de verdade. A ordem não se altera muito mas alguns passeios são fundamentais. Começaria com um belo ilha tour, pra entender mais ilha e suas principais praias (coletivo ou privativo); passeio de barco (de preferência privado) com peixinho na brasa e ver um pôr do sol a bordo; a canoa havaiana na Praia do Porto; um mergulho de cilindro para comprovar que a ilha é tão linda em baixo d'água como na superfície; apnéia no Porto pra ver o naufrágio; visita aos Mirantes dos Golfinhos, Sancho e Dois Irmãos (com descida no Sancho pela escada encravada na rocha; curtir praias como o Boldró, Bode, Conceição, Leão, Cachorro e Meio.
Existem várias opções de restaurantes na ilha, um dos mais tradicionais e aclamados está dentro do Dolphin. Ele recebe hóspedes de outras pousadas além de ter jantares especiais. Existem vários bares e beach clubs super legais para contemplar o pôr do sol também. A Noronha Prime, minha outra empresa na ilha, proporciona experiências especiais, como jantares à beira mar, sunsets românticos, passeios privativos com acompanhamento de guias personalizados, além de pequenas cerimônias, eventos e aluguéis de veículos.
L'OFF: Você sente que o governo dá o devido valor e cuidado ao lugar? O que você acha que precisa ser feito emergencialmente para preservar a ilha?
F: Passamos os últimos anos nas mãos de um governo que Noronha parecia ser o equipamento turístico menos importante do estado de Pernambuco, isso resultou num atraso sem precedentes para ilha. Esse ano assumiu um novo governo, onde estamos depositando nossa esperança que a ilha seja tratada da forma e com a importância que merece. A obra da pista está sendo tratada de forma emergencial para que se regularize pousos de jato o mais breve possível. A intervenção de pousadas, negócios e habitantes irregulares na ilha também é um caso de extrema importância e urgência. Noronha tem recursos naturais muito escassos, como água, e nosso sistema de saneamento e bastante precário. Não suporta o número atual de hospedarias irregulares, mas felizmente isso está no radar deste novo governo.
É super importante o visitante checar se a acomodação que pretende se hospedar está totalmente regular na ilha e tem o selo de pousada regular. Estas sim, estão cumprindo todas as normas sustentáveis, sanitárias e de preservação.