Alexandre, o Grande: manto perdido é encontrado na Grécia
Alexandre, o Grande: possível manto púrpura do conquistador, símbolo de poder e exclusividade, é revelado em túmulo ancestral na Macedônia
A recente descoberta de um tecido púrpura e branco, que possivelmente pertencia a Alexandre, o Grande, traz novas luzes sobre o legado e a simbologia de um dos maiores conquistadores da Antiguidade. Encontrado no Grande Túmulo de Vergina, na Grécia, o artefato foi estudado por uma equipe de pesquisadores da Universidade Demócrito da Trácia, liderada pelo especialista Antonis Bartsiokas. Este estudo, publicado no ‘Journal of Field Archaeology’, sugere que a peça, identificada como um chiton ou sarapis, foi usada por Alexandre em vida, reforçando sua posição de realeza e autoridade.
O manto púrpura, em si, é carregado de significado. Tradicionalmente reservado à nobreza macedônica, o roxo simbolizava poder e exclusividade, sendo frequentemente adotado por Alexandre como marca de seu status. Documentos históricos, como os relatos de Eohippus de Olynthus, revelam que o rei usava o tom em quase todas as suas aparições, uma imagem que reforçava sua divindade e domínio militar e cultural sobre os vastos territórios conquistados.
Bartsiokas conduziu uma análise minuciosa do tecido, encontrado no chamado Túmulo Real II, local onde repousam os restos de Filipe III Arrideu, meio-irmão de Alexandre. Durante décadas, acreditava-se que o manto pertencesse exclusivamente a Arrideu, mas o estudo recente propõe que ele tenha sido, na verdade, o próprio manto de Alexandre. Tingido em um tom púrpura com centro branco, possivelmente tratado com huntita, o tecido seria o “mesoleucon sarapis”, descrito na antiguidade como uma das vestes mais sagradas do rei macedônico.
Dentro do túmulo, outras representações ajudam a fortalecer a hipótese. Alexandre é retratado em uma cena de caça a um leão, trajando o manto roxo e um chapéu conhecido como ‘kausia’, enfeitado com um diadema reservado apenas aos reis macedônicos. A imagem se torna um símbolo de seu poder e bravura, características que marcaram seu reinado e a expansão de seu império.
A descoberta, contudo, reacende uma discussão antiga entre acadêmicos sobre os Túmulos Reais de Vergina, originalmente escavados em 1977. Embora identidades de alguns ocupantes tenham sido mais precisamente confirmadas apenas em 2023, a localização do túmulo de Alexandre permanece um mistério, pois acredita-se que ele tenha falecido na Babilônia em 323 a.C., sem ter retornado à Macedônia.
Para Bartsiokas, a presença do manto no túmulo de Arrideu sugere que, após a morte de Alexandre, essa veste especial tenha sido enterrada com seu meio-irmão como um símbolo do fim da dinastia Argéada, cujos últimos dias foram marcados pela morte de Arrideu em 316 a.C. O debate, porém, ainda está longe de ser concluído, e o estudo promete aquecer discussões entre arqueólogos e historiadores sobre os reais pertences de Alexandre e seu significado duradouro na cultura macedônica e helênica.