Chay Suede fala sobre carreira e família em entrevista exclusiva
Chay Suede, estrela da nossa nova edição da L’Officiel Hommes Digital, fala sobre seu trabalho, paternidade e casamento com Laura Neiva, confira!
Com um sorriso cativante e um talento inegável, Chay Suede trilhou uma carreira de sucesso se tornando um dos atores mais queridos de sua geração. Considerado um galã, digno dos papéis mais desejados do cinema e da televisão, há um outro lado do tão querido ator e musicista que talvez nem todos tenham a oportunidade de conhecer: a simplicidade, simpatia, o carinho e dedicação para com a sua família. Se tornou fácil entender o porquê, aos 29 anos, Chay possui uma legião de fãs apaixonados pela sua essência.
Depois do nascimento do seu segundo filho, Chay embarcou em um novo desafio de sua carreira: fazer um filme no qual ele atuava grande parte do tempo sozinho, no pequeno espaço do interior de um carro. Foi logo após o lançamento dessa sua aclamada produção, Jaula, que conversamos com o ator, que estampou a capa digital da L’Officiel Hommes Brasil.
Durante a conversa, um turbilhão de assuntos. Seu amor pelos filhos, sua conexão com seu pai, o casamento com Laura Neiva, sua paixão pela moda e, claro, sua carreira brilhante. Confira com exclusividade as respostas do ator.
Como funciona o seu processo de preparação para um novo personagem?
Chay Suede: Eu sou uma pessoa extremamente curiosa. Então, quando eu tenho um personagem na mão, ou até mesmo com a ideia de que eu terei um personagem de um jeito específico, eu começo loucamente a buscar tudo que pode ilustrá-lo. Os ambientes onde ele vive, onde ele frequenta, os amigos dele, os tipos de relações que ele tem. Então eu vou na miudeza, que é o que mais me interessa: descobrir coisinhas sobre o universo do personagem.
E é um trabalho infinito, porque a gente nunca descobre tudo, sempre tem mais uma coisa pra descobrir. Só que em algum momento a gente precisa interromper e viver, né? Durante uma novela isso é ainda mais legal, porque você tem um ano para continuar investigando, aprendendo e absorvendo sobre aquele universo. Acho que eu me aprofundo em todos os níveis do que é sua vida, de como são suas gravações e as dinâmicas dele.
Qual foi o papel mais desafiador em todos esses anos e o porquê?
Chay: O papel mais desafiador foi o que eu fiz no filme “A Jaula”, por conta da dinâmica do filme, de ser filmado em um carro, de meus diálogos serem poucos, e eu passar a maior parte do filme em silêncio, solitário. Como eu busco tudo na contracena, eles me fizeram muita falta. Eu nunca tinha feito um filme assim, em que eu interpretava sozinho, eu e meu corpo, então isso foi muito desafiador.
Como você descreve a jornada emocional desse filme?
Chay: Tem uma gradação de decadência física e psicológica, a gente precisou se preocupar com isso. Por sorte a gente conseguiu filmar cronologicamente, o que facilitou as coisas, porque eu não precisava ficar revisitando certas emoções, certos graus de decadência. Mas foi uma progressão mesmo, em que quanto mais desesperado, menos força ele tinha para se desesperar. Era conflituoso, eram duas energias completamente conflituosas, a da fraqueza e a do desespero.
Como você enxerga a política cultural do nosso país?
Chay: Eu acho que o nosso país é um dos países mais ricos em cultura, diversidade, em coisas interessantes e brilhantes do mundo. Infelizmente a gente vive um momento em que a cultura está sucateada, está sendo mal explorada, banalizada. Eu acho que um grande país, um povo grandioso, dá muito valor à sua cultura e isso precisa ser retomado urgentemente.
Você tem algum plano para a carreira musical?
Chay: Eu não deixo de ter, mas também não tenho nada de imediato. Eu realmente gosto de fazer música quando eu estou inspirado a compor, então normalmente eu componho disco, como foi com “Aymoréco” e “O Sal”. Em O Sal eu acabei lançado uma música só, mas tem mais umas cinco guardadas, eu não sei se vou lançar um dia, mas eu não tenho planos imediatos para minha carreira musical.
Sabemos que você é um grande fã do Caetano Veloso, o que mais te inspira no artista?
Chay: Ele em si. Eu acho que as composições do Caetano têm uma coisa sobre intimidade e grandeza ao mesmo tempo, que é difícil de explicar. As canções dele, desde criança, me trazem ao mesmo tempo uma nostalgia, como se fosse algo que eu conhecesse profundamente de dentro, mas também me assombram de como pode ser grandiosa a mente do artista e de onde ele pode chegar. Então essa dualidade entre o que é íntimo, o que é profundo, o que é simples, o que é grandioso, o que é complicado, o que é poético, é o que mais me encanta no trabalho dele.
Como é ser pai nesse momento delicado em que nosso país enfrenta?
Chay: Eu dou o meu melhor todos os dias, e o que eu tenho para oferecer, o que eu tenho disponível, e tento também me alongar para as coisas que eu não tenho, buscar e passar a ter no futuro próximo. Eu sempre quis ser pai, com certeza a maior realização da minha vida foi o nascimento dos meus filhos. Então eu acho que o mundo precisa de gente boa, tem muita gente falando “nossa, mas você não tem medo? “Acho que a perversidade do mundo é cíclica também, a gente teve momentos perversos durante a história, e pessoas nasceram, foram criadas, melhoraram ou pioraram o mundo. E o meu trabalho é que meus filhos melhorem o mundo, ao invés de piorar.
Que mensagens e conhecimentos você gostaria de passar para os seus filhos?
Chay: O que eu der conta de fazer, as coisas que são essenciais mesmo, nada fora da caixinha assim, no sentido de nada mirabolante. Eu não pretendo de maneira nenhuma dar uma criação fora da curva para os meus filhos, em que eles sejam poupados de certas coisas. Eles precisam ter as experiências, as dificuldades e as coisas que formam um grande ser humano. O meu papel é tentar fazer isso acontecer, tentar proporcionar essas coisas, protegê-los em alguns momentos em que eles precisam ser protegidos e não os proteger também em alguns momentos que eles precisam lidar com a vida real, e com as consequências dos próprios atos e tudo isso. Eu acho que essa consciência de indivíduo, é algo que eu pretendo passar pra eles, com certeza.
Qual foi o maior aprendizado que você teve com a paternidade?
Chay: Eu acho que uma revisita o amor do seus pais, com certeza, e esse amor ganha uma nova magnitude também, as atitudes deles, certas e erradas, em relação a sua própria criação também são ressignificadas. Acho que você se refaz na base do amor, você passa a ter uma lente mais amorosa com o mundo. Todo mundo é filho de alguém, e eu acho que essa sensação me fez ver que eu quero tratar as pessoas que eu conheço como eu gostaria que tratassem meus filhos. E isso muda toda a dinâmica das relações.
Sabemos que seu pai sempre foi um grande incentivador da sua carreira, como a relação de vocês se transformou após a chegada dos seus filhos?
Chay: A nossa relação sempre foi muito íntima, profunda, de muito respeito, muita admiração mútua e muita torcida um pelo outro… Eu acho que, na verdade, depois que meus filhos nasceram, eu fiquei ainda mais grato por ter o pai e mãe que eu tive. Isso ficou mais evidente, o quão sortudo eu fui.
Como tem sido para você conciliar sua carreira e a paternidade?
Chay: A gente viveu um momento totalmente atípico, que coincidiu com o nascimento de meus filhos, que foi a pandemia global. Então o ritmo que eu tive durante esse tempo, nessa primeira infância deles, foi diferente do que eu costumava a ter de trabalho. Então eu acho que agora que eu vou começar a realmente entender como vai ser essa conciliação. O fato é que eles sempre serão minha prioridade, então tudo precisa se organizar em torno dessa relação de pai e filho, de marido, e de família.
Como você poderia descrever o seu relacionamento com Laura?
Chay: É maravilhoso, é muito melhor do que eu poderia sonhar de uma relação, com uma mulher. A gente se impulsiona de um jeito que eu posso dizer que a minha vida só melhorou depois dela, desde que a gente se conheceu minha vida, a cada dia, melhora um pouquinho. Ela melhorou vários aspectos em minha vida, e acredito que eu melhorei alguns aspectos na vida dela também. E a gente tem essa humildade de deixar um ou o outro tomar a frente em certos momentos, de acordo com o que a gente faz melhor. Ela faz coisas que eu não faço bem, eu faço coisas que ela não faz bem, eu aprendo com as coisas que ela faz melhor que eu e vice versa. Então essa torcida, essa ausência completa de competitividade… a gente realmente trabalha em unidade, como se a gente fosse um. Apesar de todas as individualidades, as coisas que precisam ser mantidas, com saúde, com alegria, a gente trabalha em unidade, a gente é uma família só. Então nossos interesses são em comum, nossas vitórias são também em comum, para serem compartilhadas. E a gente vive cada dia realmente com muito amor, a gente comemora nossas conquistas, nossos pequenos avanços. E ela é a melhor parceira do mundo, a melhor mãe e a melhor esposa. É tudo superlativo em relação a Laura.
Como você se imagina daqui a 29 anos?
Chay: Eu falo para Laura, a gente brinca, e eu digo para ela que eu vou viver 100 anos. E ela diz “não conte comigo, não sei se eu quero viver isso tudo não”. Mas eu falo que eu quero, eu gosto demais de viver, gosto da vida, gosto das relações, amo meu trabalho, e eu pretendo trabalhar realmente até não poder mais. Mas eu acho que sim, esse ritmo tende a diminuir por questão de idade mesmo, o gás que eu tenho hoje com certeza não vai ser o mesmo que eu terei daqui há 30 anos, mas eu espero que ainda seja o bastante para que eu trabalhe muito, para fazer coisas que eu sonho e que eu ainda vou sonhar com 60 anos de idade. Porque você pode ter certeza, os sonhos não acabam, eles só vão mudando de lugar.
Qual a sua relação com a moda? E como você define seu estilo?
Chay: Olha, eu realmente adoro moda, adoro mesmo. Tenho uma relação estreita, não tenho como negar. Mas é difícil eu me definir, porque realmente… eu não tenho algo objetificado, não tenho uma mira, a qual eu quero atingir. Na verdade, eu vou gostando de certas cores, certas coisas, certos cortes, vou vendo o que funciona em mim, eu erro às vezes pensando que uma coisa vai funcionar e não funciona. Mas eu vou experimentando, e o que me faz sentir melhor e mais bonito é o que eu vou mantendo, e isso vai se tornando meu estilo próprio, como de qualquer pessoa que se respeita neste sentido…
Você vê a moda como movimento artístico e transformador?
Chay: Sim e não. Eu acho que a moda, assim como as artes cênicas, podem ser artísticas e transformadoras e podem não ser. Eu acho que depende muito de quem está por trás daquilo ali, daquela marca, peça ou desfile. A moda traz possibilidades profundamente artísticas, que podem ser exploradas ou não artisticamente, mas podem trazer também possibilidades não artísticas também, como uma reprodução óbvia e sistemática que é o que vai vender. Então ela pode ser artística e pode não ser, como tudo na vida.