Super-ricos: quanto ganham por mês 0,1% da população brasileira?
Estar entre os super-ricos do Brasil significa ter um ganho anual de alguns milhões. Confira!
Estar entre os super-ricos do Brasil significa ter um ganho anual de ao menos R$3,7 milhões, isto é, cerca de R$ 308 mil por mês, incluindo salários e lucros dos negócios, além dos rendimentos do capital investido. São eles que estão na mira da proposta do governo de tributar fundos de investimento típicos das famílias muito abastadas.
Encontra-se neste piso de rendimento apenas 0,1% da população brasileira, conforme indicam dados da Receita Federal levantados pelo economista Pedro Humberto Carvalho Junior, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), especializado em tributação.
Carvalho explica que, embora não haja uma definição exata de quem é super-rico, os estudos trabalham com o recorte da renda média do milésimo mais rico da população. No topo desta faixa de rendimento, está 0,01% da população, cuja renda chega a R$ 1,6 milhão por mês.
“Os números são apenas uma aproximação, uma média, porque mesmo dentro do grupo do 1% mais rico há muita desigualdade. Ele é só a portinha de entrada para o topo da nossa pirâmide”, esclarece o sociólogo e professor André Salata, coordenador do Data Social, o Laboratório de Desigualdades, Pobreza e Mercado de Trabalho da PUC do Rio Grande do Sul (PUCRS).
“A renda mínima desse 1% é tão absurda, e há muitos advogados, médicos e empresários de porte médio que podem estar nele. Mas, se olharmos o 0,1%, ele é ainda mais rico que o 1%”, afirma.
Segundo Carvalho, os ganhos mensais de 1% da população que está no topo — os ricos — são de no mínimo R$58.300. A renda média brasileira é de cerca de R$2500 mensais.
A renda mensal pode ser composta, em geral, de duas formas: as rendas do trabalho e as rendas de capital, isto é, todas as remunerações por investimentos e outros ativos, como os lucros e dividendos pagos pelas empresas.
Até o momento, os dividendos são isentos de imposto no Brasil. Por consequência, ao menos 60% da renda do 1% mais rico não paga imposto. Na última segunda-feira (28), o governo publicou a medida provisória que amplia a taxação dos fundos exclusivos, e um projeto de lei para taxar offshores — fundos de brasileiros estruturados fora, conforme a lei de outros países.
Para aplicar em um desses fundos, é necessário desembolsar ao menos R$10 milhões. Conforme a plataforma de investimentos TradeMap, há apenas 1650 deles, cujas aplicações somadas chegam a R$260,2 bilhões.
Com a medida, os fundos exclusivos fechados pagarão o come-cotas, um imposto aplicado duas vezes ao ano sobre o valor investido.