Giuliano Laffayette em entrevista exclusiva para L'Officiel Brasil
Com uma carreira promissora pela frente, ator interpreta o advogado Fabrício em ‘Vai na Fé’ e fala de aprendizado, referências e experiências dentro e fora do set da novela.
Giuliano Laffayette (31) é um multiartista. Em contato com a arte através do desenho desde a infância, transita entre a atuação, o design e as artes plásticas, onde também tem formação. É praticante de jiu-jitsu, faz terapia, e acredita que mente e corpo caminham juntos.
Suas referências vão de nomes célebres como o grande artista carioca Hélio Oiticica, passando pela atual arte de rua de Mag Magrela, desenhista e grafiteira paulista.
Ele integra o elenco da novela das 19h da rede Globo – “Vai na Fé” como o advogado Dr. Fabrício, contracenando com Carolina Dieckmann e Samuel de Assis. O personagem tem mexido com o imaginário do público, que movimentas redes sociais com memes e edits divertidos.
Deu vida a ‘Caco’ na produção ganhadora do Emmy, “Verdades Secretas” e está prestes a estrear no cinema com o longa “Apaixonada”, onde teve que aprender espanhol em um mês para dar vida ao personagem Afonso, contracenando com Giovanna Antonelli e o ator argentino Nicolás Pauls.
Entre seus sonhos profissionais está o de realizar projetos independentes, expondo suas ideias e propondo reflexões sobre o momento em que vivemos.
Em entrevista exclusiva à L’Officiel, Giuliano Lafayette fala de seu momento na carreira, vida e inspirações. Confira!
Fotos: Anthony Garcia
Stylist: Andy Diniz
Vai na Fé é uma novela leve, divertida. O personagem Fabrício interage com protagonistas e o núcleo mais sério da trama. Como tem sido essa experiência e a preparação para interpretar o personagem?
Tem sido uma experiência incrível! Praticamente só tenho cenas com os protagonistas da novela, posso ver de perto o ritmo que é gravar personagens tão grandes e complexos, e estou encarando como uma super oportunidade de aprendizado.
É a primeira vez que não faço parte do núcleo jovem da trama e que estou lado a lado com atores bem experientes, como Carolina Dieckmann e Samuel de Assis. Eles foram bem solícitos comigo e me acolheram desde o primeiro dia. Tudo está sendo um processo muito novo, de amadurecimento dentro e fora do set. Tenho entendido os momentos de observar, escutar, ficar “fora de campo”, mas também quais momentos certos de ter coragem para ousar!
Muito da preparação para dar vida ao Fabrício veio do momento anterior que estava vivendo. Trabalhando em um escritório para sustentar meu ofício como ator, fazendo cursos, e botando meus projetos para frente. Entendi bastante de como eu visualizo a arte nesse momento!
Também fiz uma preparação com o Guilhermo Marcondes, que trabalha com o método de imaginação sensorial, e foi essencial para gerar confiança nesse ambiente gigante que é a novela. Gosto muito de ir a campo pesquisar, conversei com alguns amigos advogados, vi algumas audiências por streaming, li o livro “Noções essenciais de Direito, de Nelson Palaia”. Fui ao Fórum no centro do RJ e passei o dia todo lá vendo as pessoas trabalhando. Anotei e fotografei o lugar, suas cores, papéis de recado na parede, texturas. Acredito que na hora da cena tudo isso fica dentro da gente
O personagem Fabrício tem gerado furor no público, seja feminino ou masculino. Os memes são uma “novilingua” e expressam uma parte do imaginário de quem acompanha a novela. Como tem sido receber este feedback tão positivo? Como você lida com as diferentes abordagens de fãs?
Tem sido surpreendente! Não imaginava que fosse acontecer. Dou muita risada, me divirto! Tento me adequar a essa nova linguagem e abordagem do público. Penso como um novo desafio da profissão e bora lá!
Geralmente recebo mensagens muito carinhosas, principalmente falando sobre o personagem, e acredito que com respeito e educação todo tipo de abordagem é válido. Eu não tinha twitter antes da novela. Não sabia direito o que rolava por lá. Um amigo que me mandou uma mensagem falando “Giu, estão fazendo vários edits e criando um monte de memes com o Dr Fabrício no twitter, você tem que ver”. E me mandou alguns prints. Ri muito, fiquei surpreso e criei um twitter na hora pra ver tudo!
Você é um multiartista! Além de ator, artista plástico e designer. Como começou sua relação com a arte? Vem da infância? Quais suas referências brasileiras nas artes plásticas?
Eu mexo com arte desde que eu me entendo por gente. São as minhas maiores lembranças da infância, minha brincadeira preferida era desenhar. Era algo natural. Minha tia é designer (da época que nem existia computador), e sempre esteve muito presente na minha criação.
Lembro de chegar na casa dela, via um monte de lápis, canetas coloridas, papéis diferentes, e ficava doido! Ela foi uma grande incentivadora desse meu caminho artístico e me ensinou bastante a fazer as coisas de uma forma mais analógica. Também foi ela quem me levou para assistir meu primeiro espetáculo, no Teatro Municipal, e se eu não me engano, foi a primeira pessoa a quem falei que queria fazer teatro.
As referências em artes são muitas! Do pessoal mais antigo, cito Lygia Pape, Arthur Bispo do Rosário, Walter Firmo, Hélio Oiticica, J.Borges.
Da galera mais nova: Zeh Palito, Thainan Castro, Maria Guimarães, Luiza Oliva, Allan Weber, Os Gêmeos, Mag Magrela, Miguel Afa, Maxwell Alexandre; entre outros.
Você é vaidoso? Quais os cuidados você tem com a saúde?
Eu amo fazer atividade física e praticar esportes faz parte da minha rotina de autocuidado. Quando era menor, minha mãe trabalhava como recepcionista em uma academia em Copacabana e treinava Muay-Thai, eu ia passar os dias com ela no trabalho e adorava!
Acabei crescendo nesse ambiente, sentindo o cheiro do tatame. Ainda bem novo entrei para o Judô, e depois migrei pro Jiu-Jitsu onde estou até hoje. Sou faixa marrom, da equipe Família Abi-Rihan. Faço questão de falar isso com muito orgulho, porque a luta foi uma escola/faculdade para minha vida! Me ensinou a ter postura diante das adversidades, coragem e disciplina para ir atrás dos objetivos, respeito com o próximo e, no campo profissional, me auxilia a encarar os desafios de cabeça erguida.
Eu também cuido da minha saúde mental, tem 3 anos que faço terapia. Acredito que mente e corpo caminham juntos. A minha vaidade é sentir o corpo ativo, me alimentar bem, dar um mergulho no mar sempre que possível. Quando sinto que as coisas estão fora do lugar, eu ‘reseto’ tudo, dou uma boa corrida, realinho a alimentação, mantenho uma rotina assídua nos treinos e aos poucos tudo vai se encaixando outa vez.
De uns tempos pra cá, até por conta da profissão, tenho aprendido algumas dicas de cuidados com a pele, limpo o rosto com água micelar e passo vitamina C antes de dormir.
Como é o Giuliano em relação à moda e como você define seu estilo?
Eu amo a rua. Cresci fazendo Grafite, e acompanhando esse movimento cultural. Sempre ouvi muito RAP, Soul, R&B. Minhas referências vêm basicamente desses lugares. Na vida pessoal eu curto usar umas peças mais clássicas, formais, com algo mais urbano. Não sei se eu tenho muito um estilo definido, mas enxergo a moda como um grande veículo e importante meio de expressão.
Em junho chega aos cinemas brasileiros o Filme “Apaixonada”, protagonizado por Giovanna Antonelli. É sua estreia no cinema, certo? Qual a expectativa? Você teve que aprender espanhol para o filme?
Esse filme veio para mim em um momento muito especial, e me fez acreditar que estava tomando os rumos certos! Consegui alinhar as diárias do filme com o meu antigo trabalho, e isso me deu muita empolgação!
Na rubrica do personagem estava escrito que ele teria sotaque Espanhol, mas em uma conversa com a diretora do filme, Natalia Warth, decidimos juntos que seria muito mais interessante se ele realmente falasse espanhol. Tinha apenas um mês para pegar todo idioma, sotaque, embocadura, mas queria dar o melhor, então aceitei o desafio! Comecei a fazer aulas duas vezes na semana e a ler em espanhol todos os dias. Foi uma das experiências mais legais que já vivi na carreira!
É a minha primeira vez fazendo cinema. Pude contracenar com a Giovanna Antonelli, que adorei conhecer, e com o ator argentino Nicolás Pauls, que foi super solícito e me ajudou na construção do sotaque conversando comigo por áudio do WhatsApp. As expectativas para a estreia são as melhores! O elenco e a equipe são demais! E o livro, do qual foi baseado o filme, é apaixonante!
Qual é sua história com o teatro? Você já idealizou um projeto independente. Conte como foi. O teatro continua sendo a experiência mais catártica de atores e público?
Comecei a fazer teatro ainda pequeno no meu antigo colégio. Lá tem um teatro lindo, de palco italiano, com camarim, coxias grandes, que comportava umas 700 pessoas, e a gente tinha o privilégio de fazer as aulas nesse lugar. O que era bem legal, porque já fazíamos as nossas montagens de peças em um ambiente super profissional! Lembro que sentia a luz do holofote batendo no rosto em frente ao palco, e sentia um arrepio diferente de tudo, pensava que queria fazer isso para toda a vida!
Com 16/17 anos tinha um Festival Intercolegial de Teatro, que reunia algumas escolas do RJ em dois dias de apresentações. Montamos a peça “O Sol Feriu a Terra”, de Vital Santos, e acabamos ganhando o festival com a melhor peça, e eu como melhor ator. A partir daí, comecei a acreditar que era possível ir além daqueles muros da escola.
Um dos meus sonhos profissionais é realizar projetos independentes, botar pra frente as ideias que acredito! Já fiz um, a convite do diretor Anderson Aníbal, a peça “Coisas Invisíveis", na extinta livraria da Cultura - RJ, fizemos a peça toda com base no financiamento coletivo!
Nesse projeto conheci os atores incríveis, como Gabriel Contente, Vitor Novello, Nina Faria e somos bem amigos até hoje. Mas isso foi só o começo, quero bem mais!
Creio que toda arte feita com verdade pode ser catártica ao público! Não importa a mídia, televisão, teatro, performance, exposição. Todas as formas são potentes e podem chegar de maneiras bem sensíveis a quem está assistindo. O teatro realmente tem uma proximidade que pega fogo, o audiovisual tem uma realidade que pode ser bem visceral, cada um com a sua especificidade.
Você faz parte da Geração Y. Jovem, que valoriza mais experiências do que posse. Como você encara a vida e o amadurecimento. Tanto profissional quanto pessoal?
Ainda estou descobrindo. Aprendendo a dar um passo de cada vez. Na minha vida pelo menos, o profissional e o pessoal começaram a caminhar em frente quando entendi que eles estavam ligados! A oportunidade de fazer “Vai na Fé”, veio no momento mais maduro do qual já tinha me encontrado.
O amadurecimento vem muito dos perrengues que a gente passa, e das escolhas que a gente faz, já tem um tempo que decidi encará-los de peito aberto, e com coragem para abrir ciclos, e fechá-los, da melhor maneira possível. Ter Fé, independentemente de religião, encontrar um lugar do qual a gente possa ir, aos poucos buscando nosso propósito, compartilhando valores dos quais nos faz bem, também tem me ajudado nessa caminhada!