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Clara Bow: conheça a artista que inspirou música de Taylor Swift

Atriz de sucesso da década de 1930 nomeia canção de novo álbum da cantora americana que será lançado em abril

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Clara Bow | Reprodução: Instagram @babeyond_official

Na última edição do Grammy Awards, a cantora Taylor Swift, 34, fez história na cerimônia por ser a primeira artista a ganhar o prêmio Álbum do ano pela quarta vez. Na mesma noite, a voz americana de sucesso anunciou que lançaria The Tortured Poets Department, seu 11º álbum de estúdio em 19 de abril. Antes disso, fãs já conheciam a tracklist e começaram a especular sobre os títulos e suas inspirações. Uma das canções que compõem o novo álbum se chama Clara Bow, nome que alcançou o estrelato na era do cinema mudo da década de 1920.

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Taylor Swift | Getty Images

Quem foi Clara Bow?

Nascida em Prospect Heights, Brooklyn, em 1905, teve uma educação difícil, incluindo uma mãe que supostamente lutava contra diagnósticos complicados de saúde mental. No final da adolescência, Bow iniciou a carreira no cinema. Com 16 anos, participou de um concurso de beleza que a elegeu para um pequeno papel em Beyond the rainbow (Além do Arco-íris), filme de 1922. Mesmo com as cenas em que atuou cortadas, a atriz engrenou na carreira dramatúrgica na era do cinema mudo com papéis em Mantrap (Provocação do amor, 1926), It (O Não sei quê das mulheres,1927) e Wings (Asas,1927).

 

Nas telas

No início da década de 1930, a atriz atingiu o estrelato e recebeu o apelido de The It Girl. Aumentando sua popularidade na indústria do cinema, Clara Bow ganhou as manchetes da mídia com sua vida pessoal, incluindo fatos sobre sua educação e seus relacionamentos amorosos. O jornal britânico The Guardian observou que Bow era mais “descarada” do que seus colegas, o que a fazia ser deixada de lado na época. “Ela não era muito querida pelas outras mulheres da indústria cinematográfica”, disse certa vez a atriz Lina Basquette sobre Bow, de acordo com a publicação. “Sua presença social era um tabu e um tanto boba, porque todos sabiam que Marion Davies e Mary Pickford [atrizes da época] tinham muito a esconder. Elas esconderam e Clara não”, explicou ela.

 

A cineasta americana Elaine Shepherd produziu um documentário da BBC4 sobre Bow em 2012. Para ela, Hollywood rapidamente a afetou, levando a atriz a se aposentar em 1933. “Os estúdios a estavam levando à morte”, disse Shepherd à BBC. “Ela tomava muitos remédios para tirá-la da cama de manhã e fazê-la dormir à noite. Os executivos tentavam explorá-la o máximo possível, as revistas de fofocas escreviam as mentiras mais terríveis e ela estava lidando com tudo isso sozinha, sendo uma mulher de vinte e poucos anos”, afirmou ela.

 

“Ela achou isso muito estressante”, continuou Shepherd. “Mas não é verdade que ela foi expulsa de Hollywood. Quando o som surgiu na indústria do cinema, ela recebeu enormes cachês para atuar em filmes falados e, se tivesse tido mais apoio desde o início, poderia ter continuado uma carreira relevante”. Em fevereiro de 1960, Clara Bow recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

Clara Bow se casou com o ator Rex Bell, conhecido por estrelar filmes de faroeste. O casal se conheceu no set de filmagem de True to the Navy (A Noiva da Esquadra, 1930), e se casou no ano seguinte. Tiveram dois filhos, Tony Beldam (que mudou seu nome para Rex Anthony Bell Jr.) e George Beldam Jr.

 

Em 1933, o casal de atores se aposentou e foi viver em uma fazenda em Nevada, região oeste dos Estados Unidos, com os filhos. O casal permaneceu junto por mais de três décadas antes de Bell morrer de ataque cardíaco em 4 de julho de 1962.

Segundo o canal de televisão britânico BBC, Clara Bow teve que lidar com uma “doença psiquiátrica” em seus últimos anos de vida e supostamente tentou o suicídio na década de 1940, quando seu marido “decidiu voltar a entrar na vida pública como político”, de acordo com o jornal The Guardian. Aos 60 anos de idade e três anos após a morte do marido, a atriz morreu de ataque cardíaco em 27 de setembro de 1965, em Los Angeles, segundo o The New York Times.

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Taylor Swift | Getty Images

Clara Bow e Taylor Swift

Ainda não está claro como a cantora pop fará referência à história de Bow na nova faixa do álbum The Tortured Poets Department. No entanto, considerando a complicada história de Bow nos bastidores de Hollywood, é provável que isso evoque uma narrativa semelhante à Red e The Lucky One, canções nas quais Swift canta sobre uma estrela escapando dos holofotes para seguir com sua vida privada.

 

Segundo a People, alguns fãs acreditam que a nova música poderia traçar paralelos com as vidas e os percalços das carreiras de Bow e Swift, como aconteceu com o sucesso The Last Great American Dynasty. Na canção, ela fala sobre a socialite americana Rebekah Harkness que viveu – de uma forma um tanto infame - na mansão em Rhode Island que Swift agora possui.

 

A família de Clara Bow

Em entrevista à People, as bisnetas de Clara Bow - Nicole Sisneros e Brittany Grace Bell - disseram que ficaram "chocadas" ao saber sobre a nova música de Taylor Swift. Elas pontuaram que ninguém havia sido contatado antes, mas ficaram "intrigadas” para ouvir a faixa.

Mesmo que ainda não esteja claro sobre o que será a nova música da cantora pop americana, as bisnetas da atriz esperam que a canção consiga captar a “perseverança” na vida da artista. “Ela veio de uma origem muito difícil e realmente fez isso acontecer por si mesma”, disse Bell. “Espero que ela [Taylor Swift] transmita uma imagem positiva de Clara Bow, e acredito que fará. Imagino que use isso como uma forma de destacar suas realizações, seus elogios e seu dom. Ambas são pessoas que têm um talento muito forte.”

 

Uma das bisnetas destacou que existem paralelos entre Bow e Swift, desde os seus estilos clássicos e lábios vermelhos peculiares até como as artistas tiveram que driblar os holofotes da mídia. “Clara também enfrentou isso, elevou-se e teve que dominar a situação. Sua tenacidade em se concentrar em sua carreira [é] muito semelhante à de Taylor.”

Pontuando que Bow e Swift são “pioneiras em suas áreas”, a bisneta Bell acrescentou que acredita que sua bisavó teria sido muito protetora com Swift. Ela fez referência a uma citação de Bow sobre Marilyn Monroe, apresentada em Clara Bow: runnin' wild, biografia da atriz escrita por David Stenn em 1988, em que ela disse: "Eu nunca a conheci, mas se a tivesse conhecido, teria tentado muito ajudá-la. Quem não estaria cansado, magoado e desnorteado?”. Relacionando a mesma citação a Swift, Bell ainda acrescentou: “Acredito que Clara Bow sentiria o mesmo instinto de proteção em relação a alguém que tem o mesmo nível de fama que ela ao lidar com a mídia e com o peso da coroa que é o sucesso”, explicou ela.

 

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