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Negra Li: “Sou uma mulher de fases”

Negra Li estrela a mais nova campanha da Redley, e em entrevista para a L’Officiel Brasil, fala sobre sua vida familiar, amorosa e profissional

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Foto: Divulgação/Redley

Nascida em Vila Brasilândia (SP), Liliane de Carvalho ou como a conhecemos, Negra Li, tornou-se uma das rappers mais famosas do Brasil. A convite do célebre Charlie Brown Jr., em 2000, a cantora gravou uma participação na música "Não é Sério", faixa responsável por levá-la ao merecido estrelato. Desde então a artista não parou mais, e hoje, acumula inúmeras conquistas no meio artístico, seja como cantora, atriz ou compositora. 

    

Estrelando a campanha ‘Alma Solar’ da Redley, Negra Li mostra mais uma vez a sua pluralidade, e como modelo, expressa perfeitamente a identidade da marca em meio à famosa São Paulo. Em entrevista exclusiva para a L’Officiel Brasil, a cantora abriu o coração para falar sobre si, e quem é a Liliane quando está longe dos holofotes. Também abriu espaço para falar sobre seus filhos, como anda a sua vida amorosa e quais são os seus projetos futuros. Confira a entrevista abaixo:

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Foto: Divulgação/Redley

Como você acha que a campanha da Redley, "Alma Solar", conversa com a sua identidade?

Eu sempre prezei por um estilo de vida tranquilo e saudável, então tem a ver comigo por conta da preocupação com a saúde e bem-estar, mas também com a alimentação, com a sustentabilidade. Eu acho que Alma Solar é isso, são pessoas que se preocupam com o bem-estar do nosso mundo, que é tão lindo e nos proporciona tantas coisas lindas, como a natureza. E ter gratidão. Ser grata a tudo que a gente tem, às pessoas que a gente ama. Tem tudo a ver com minha identidade por conta disso.

  

Como foi a sessão de fotos? Se sente à vontade para fotografar uma campanha como se sente nos palcos?

Eu adoro fotografar. Inclusive antes de começar a cantar eu já tinha essa vontade de modelar e já fiz alguns trabalhos, já estive em agência de modelo, já fiz curso, teatro, atuei. Gosto dessa coisa completa artística de poder fazer outras coisas além de cantar. Pra mim foi muito tranquilo, foi um ambiente muito saudável, muito gostoso e o estilo, street, que tem tudo a ver comigo, em São Paulo. Não tenho problema nenhum, adoro fotografar. 

  

Você foi escolhida para personificar uma alma solar no meio da cidade de SP, o que é alma solar para você? 

Alma Solar pra mim é você conseguir transformar o ambiente em que você está e não esperar que as situações e o ambiente estejam propícios para você. Você tem que ter dentro de você algo que faz transformar onde você chegar. Então não importa se está em São Paulo, no trânsito… Se você tem uma mente tranquila, grata, para respirar o melhor dos ambientes, independente de onde estiver. Então seja você a transformação do lugar. Eu amo São Paulo, adoro essa correria, trabalhar, tantas opções, que a cidade não dorme e tem ótimos lugares para refúgio, como o lugar onde eu moro, por exemplo, é um lugar maravilhoso, arborizado. Independente do lugar onde você está, alma solar é você conseguir transformar o lugar onde você estiver.

  

A cena street é muito conhecida pelo estilo próprio, incluindo muitos tênis. Qual sua relação com a peça? Tem muitos, é uma amante de tênis?

Sim! Sou amante do tênis! Sou uma mulher de fases, mas a fase do tênis pra mim nunca passa. Adoro de todos os estilos: cano alto, cano baixo, colorido, sem cor… Todos os estilos que imaginar tem no meu guarda-roupas. Estou devendo uma compra pra mim, pois depois de ter filhos, a gente acaba comprando para mais nossos filhos, né? Mas eu adoro, é uma peça que não pode faltar no meu guarda-roupas.

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Foto: Divulgação/Redley

Sabemos que tem uma relação com a Redley. Pode contar um pouco sobre essa história?

Minha relação com a Redley é além da campanha maravilhosa que acabamos de fazer com o skate. Eu quando era jovem andava de skate pela Brasilâdia e Redley na época era uma marca super requisitada pelos skatistas, então já fui apaixonada e já usei Redley para andar de skate.

 

Hoje, você tem 44 anos. Como se enxerga aos 50?

Eu me enxergo exatamente como agora, por que eu percebi que são só números. Quando fiz 40 anos e agora, com 44, nada mudou. Então eu acredito que vai ser a mesma coisa, só que estarei mais inteligente, mais bonita e mais experiente.

 

E o coração? Fechado para balanço ou aberto para novos amores?

O coração está meio a meio. Meio fechado para balanço e meio aberto para novos amores. Porquê: aberto por que, quem não quer viver uma história linda de amor? Eu sou romântica, tenho fé ainda e estou aqui, se aparecer, vou achar maravilhoso. E o fechado para balanço na verdade não é uma escolha, é mais pela falta de tempo e dedicação que estou atualmente com meu projeto novo, que vai sair logo mais, o meu EP, que estou trabalhando há algum tempo já. Então é só por isso mesmo, por estar ocupada. Mas a hora que conseguir juntar as duas coisas, eu serei muito feliz!

 

Como mulher preta e rapper, você sente que é mais cobrada que o normal? 

Sim, por muito tempo senti essa cobrança, mas hoje vivo muito bem com ela. Quando a gente tem mais experiência de vida, a gente deixa as cobranças um pouco de lado e vai sendo quem a gente é, independente do que as pessoas gostem ou não, mas já sofri bastante com esse tipo de cobrança. Sempre tive uma missão que era me humanizar, por que, por exemplo, uma mulher preta, rapper, muitas vezes não pode fazer uma foto de biquini. Como se a mulher que canta rap, periférica, preta, não pudesse também ser vaidosa, mostrar seu dia a dia, mostrar sua vida como ela é. A gente não é só o que a gente canta. A gente é uma pluralidade, diversidade. Nós mulheres somos múltiplas, então quando eu entendi que eu não sou o que as pessoas esperam, mas que tenho que ser o que eu sou e quem gostar, gostou e quem não gostar, eu vou fazer gostar em algum momento (risos)

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Foto: Divulgação/Redley

Depois de sua primeira abertura de novela, com o sucesso "Vai na Fé", quais são os seus próximos projetos? Algum plano em vista?

Meu próximo projeto é o lançamento de um EP, que tem de 4  a 5 faixas e vocês vão poder conferir o trabalho audiovisual dessas faixas também. Provavelmente vai ser lançado em novembro. Estou trabalhando nisso agora e não vejo a hora de mostrar pra vocês.

 

Você é mãe de Sofia e Noah. As crianças costumam estar inseridas em sua rotina de artista, ou você costuma deixar com que elas vivam uma vida longe dos holofotes?

Tarde demais. Eles ja vivem dentro dos holofotes e foi meio que natural. Sofia e Noah já são artistas. Eu consigo ver traços deles. São crianças espontâneas, que gostam de se comunicar, de aparecer. A Sofia é uma diva já, ela gosta de maquiagem, gosta de atuar, fez curso de teatro, e teatro musical, e canta muito bem, inclusive ela cantou numa faixa minha que vou lançar provavelmente no meu segundo ou terceiro EP. Noah também é um artista nato, adora desenhar, canta muito bem, consegue identificar os instrumentos musicais quando ouve as músicas, gosta de se comunicar com as pessoas, é descontraído. Não foi minha intenção, mas foi meio que natural. Fizemos um canal, FamiLi na Cozinha, onde eu e Sofia cozinhávamos e ela tinha 5 a 6 anos, e fiz por interesse dela mesmo, de gostar de mostrar, de querer apresentar.

 

Existe alguma diferença entre o estilo da Negra Li e Liliane de Carvalho?

Sim, existe muita. Não no estilo de vestir. Na vestimenta as duas se encontram na verdade. Quando estou como Liliane eu me visto como Negra Li e vice-versa. Mas existe a personalidade. A Liliane é a grande encorajadora da Negra Li, para a Negra Li ser o que ela é. Porém, dependendo da Liliane ela ficaria em casa, cuidando dos filhos, levando para a escola, cozinhando e tal. Eu sou essa pessoa mais pacata, de gostar de ficar em casa, gostar de viajar com a família e a Negra Li gosta de fazer acontecer, gosta de fazer história, pensa de deixar legado na sociedade, tem toda essa preocupação. As duas se complementam ali. E a vestimenta vem com o estado de espírito, mas nesse quesito as duas são parecidas.

 

Uma parceria musical que sonha há muito tempo

Sempre quis fazer uma música com o Seu Jorge e eu consegui, com o Jorge Ben Jor, que não fiz ainda e com a Lauryn Hill, que não aconteceu ainda, mas quem sabe, fico na esperança.

 

Uma prática de autocuidado que não abre mão

Praticar exercício. Apesar de não ser só estética, é para saúde, praticar exercícios é uma coisa que não abro mão, me faz muito bem, para minha autoestima, além da minha saúde também.

 

Um designer de moda que você admira

Admiro o Luiz Claudio da Apartamento 03, que eu acho bem completo e as roupas combinam com várias ocasiões.

 

Uma tendência que bombou há anos e hoje você continua a amar

Jeans! Eu adoro calça jeans, principalmente as de cintura alta. É uma tendência que nunca vou deixar de usar. 

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