Cultura

Karina Diniz, CEO da Drogaria Iguatemi, em entrevista exclusiva

Muita beleza! Karina Diniz, CEO da Drogaria Iguatemi, em São Paulo, garante que não é mais possível separar cosméticos, home devices, dermocosméticos e wellness e entrega suas previsões para o mercado da beleza, incluindo IA e a febre das pré-adolescentes por skincare.

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Fotos: Cassiano Lopes

Karina Diniz praticamente nasceu mergulhada na beleza. “Eu era pré-adolescente e, na época, meu pai tinha uma distribuidora de medicamentos. Em 1966, comprou a primeira rede de drogaria de rua e, posteriormente, inaugurou a primeira drogaria de shopping center, a Drogaria Iguatemi, no mesmo ano”, lembra.

Foi neste momento que a mãe assumiu o cargo de diretora de inovação e marcas das lojas. “A partir daí, passei a acompanhá-la em tudo e fui criando uma superbagagem, com muitas experiências e conhecimento, passando por diversas fases do mercado”, fala ela, formada em Psicologia e Administração de empresas, especializada no estudo do comportamento do consumidor, cool hunting e neuromarketing. Os estudos de campo e cursos no exterior abriram uma nova perspectiva para entendimento de como funcionam os aspectos sociológicos, culturais e econômicos do consumidor – e o resultado foi um novo conceito de drogarias. “Implantei a expansão de categorias icônicas que ainda não existiam no mercado farma, como a de dermocosméticos. Fomos a primeira drogaria brasileira a ter em nosso portfólio uma marca internacional no Brasil, e também os home devices, uma tendência que eu trouxe de uma experiência minha no exterior”, comenta, sobre o trabalho que foi também escola e que hoje conta com dez lojas físicas e três e-commerces.

L'Officiel: Sempre gostou desse universo da beleza? Imaginava que seria uma curadora de produtos?
Karina Diniz: A ideia do departamento de Curadoria, acabei herdando da minha mãe. A gente realiza uma análise rigorosa de qualidade de todos os produtos. Faz parte também da Curadoria acompanhar o monitoramento do ciclo de vida das marcas, mapeando as tendências de beleza, saúde e bem-estar, de acordo com o comportamento do consumidor. Dessa forma, produzimos inovações e disrupções em categorias e lançamentos de produtos frequentemente.

L'O: De onde veio a ideia de trazer para o Brasil marcas que fa- ziam sucesso lá fora, mas não existiam no mercado nacional?
KD:
Foi uma necessidade que nós mapeamos por meio das pesquisas que fizemos com os nossos clientes; muitos deles solicitam marcas que não existem ainda aqui. Então trouxemos várias em primeira mão, como o desodorante Ban, a pasta de dente Crest, a marca italiana de sabonetes Nesti Dante, o secador IQ perfetto Gama, a marca coreana Mise en Scene do grupo Amore Pacific. Foi assim que crescemos, expandimos nossos portfólios e nos tornamos referência no mercado. Atualmente, muitas marcas internacionais nos procuram para revender seus produtos aqui no Brasil. Além disso, vendo a importância e o crescimento do luxo, e o desejo dos nossos clientes que respiram esse universo, oferecemos Estée Lauder, Clarins, Shiseido, Clinique, Living Proof, Phyto Paris. Para 2024, teremos muitas novidades.

L'O: A DI cresceu, mas sem perder essa abordagem visionária e pioneira. Como a Drogaria Discover veio para somar?
KD: A nossa décima loja apresenta espaço de beleza, saúde e bem-estar que combina uma curadoria exclusiva de produtos. O nosso principal pilar para essa inauguração foi o lançamento da marca exclusiva do então e-commerce, NuSpace, que agora terá seus próprios produtos. Com desenvolvimento cuidadoso, desenhado pelo time de curadoria DI a partir de extensas pesquisas de comportamento e tendências no segmento de beleza e bem-estar. Hoje contamos em nosso portfólio com as categorias de acessórios, esmaltes e alimentos, lançando produtos todos os meses. Para o nosso portfólio de produtos pensamos em uma consultoria que respeite o meio ambiente e atenda as necessidades das gerações atuais sem comprometer as necessidades das gerações futuras, ou seja, um consumo mais consciente e de beleza limpa. Um dado interessante de mercado é que até 2030 o mercado global de cosméticos veganos atingirá US$ 25,9 bilhões segundo dados da Cosmetic Innovation. Queremos que a Discover, com o passar do tempo e dentro do possível, traga uma curadoria de marcas 100% voltadas para a sustentabilidade. Outro pilar que merece destaque em nossa curadoria são as medical brands. Estas marcas desenvolvidas por médicos renomados, criadas e totalmente formuladas por eles, contam com seu aval técnico e conhecimento contínuo. Os profissionais da medicina conhecem a fundo as necessidades e oportunidades do mercado, proporcionando muita confiança no que desenvolvem. Neste sentido, eu, que sempre apreciei estar com esses profissionais e aprender com eles, busquei incluir essas marcas dermatológicas em nossa curadoria. As marcas asiáticas que estão chegando por aqui são, também, mais um ganho para o mercado de beleza.

L'O: Muito se fala que não há crise no mercado de beleza. Como o vê daqui a dez anos? Mais no online do que no físico, por exemplo?
KD: Na minha visão, quem não for disruptivo e inovador não vai ter permanência longa no mercado de beleza. O ideal é observar tendências, fazer um planejamento estratégico para implementação de uma visão de sucesso de longo prazo. O brasileiro é reconhecido por sua inovação e criatividade, e este mercado oferece a oportunidade de explorar também muitas categorias distintas e produtos multiúso. Sendo assim, encontrar novas abordagens para ideias de consumo já existentes, pode ser uma estratégia inovadora. Não há mais uma distinção entre online e offline, um depende do outro. Embora tenha sido previsto que o aspecto físico iria desaparecer, as pessoas ainda sentem a necessidade da experiência.

L'O: O que vamos observar em matéria de inovação nas catego- rias de cosméticos, home devices, dermocosméticos, wellness e acessórios de beleza?
KD: A questão é não separar mais essas categorias. A ideia é que o consumidor tem pouco tempo para a sua rotina diária, desta forma a indústria deve perceber a necessidade não só de produtos multifuncionais, mas também itens que atendam várias necessidades do consumidor em diferentes categorias, como a nova linha Futurist de Estée Lauder, que une maquiagem e ativos tecnológicos que também tratam a pele mantendo a promessa de unir Skincare com make-up. Uma tendência importante é a presença da IA transformando tanto a indústria como o varejo, oferecendo novas experiências para os consumidores. Uma geração que devemos ficar atentas são os nossos pré-adolescentes, que estão obcecados pelas rotinas de skincare e maquiagem. E isso se torna um grande desafio de como as marcas devem orientá-los. Referente ao portfólio de produtos a serem lançados, isto também é uma questão para ser refletida com cuidado.

L'O: Essa onda de consumo de pré-adolescentes é impressionante. Você tem filhos?
KD: Tenho uma filha de exatamente 12 anos. E aqui em casa não tem mais armário. É uma loucura. Ela me ajuda muito, tanto nas marcas como nas opiniões de produtos. Eu a levo em algumas reuniões, inclusive. Ela é responsável pelo nome da coleção de esmaltes com a nossa marca. Vejo que ela adora esse mundo de beleza e saúde e ajuda nesse mapeamento de tendências. Vale ressaltar a influência dessas pré-adolescentes, que estão o tempo todo nas redes sociais, no comportamento de consumo das mães.

L'O: E como cuida da sua beleza? Você se considera uma pessoa vaidosa? Testa tudo antes de trazer para o Brasil? A mala de viagem tem um compartimento específico para cosméticos?
KD: Costumo testar constantemente diversos produtos, usando tudo que está disponível na drogaria, incluindo home devices. Troco frequentemente de produtos. Minha maior dificuldade durante as viagens é lidar com a quantidade de produtos essenciais para meus cuidados diários. Minha maior bagagem sempre é a de cosméticos e vitaminas. Chego, muitas vezes, a pagar excesso porque não abro mão desses itens. Realmente vivencio intensamente o que faço. Quando estou em algum lugar e vejo alguém com a pele bonita, um batom legal, embalagem diferente, eu paro e pergunto e pesquiso o trabalho daquela marca.

L'O: A seu ver, beleza e bem-estar se complementam ou são independentes?
KD: Na verdade, a marca que negligenciar esta união da beleza e do bem-estar estará com o seu futuro condenado. Veja por exemplo a Clarins que há muitos anos já trabalha com esses pilares fundamentais na construção de uma marca sólida, oferecendo o melhor dos dois mundos agregando valor e resultados mais qualitativos ao consumidor.

L'O: Quais seus projetos para 2024?
KD: 
Ampliação da marca exclusiva, plano de expansão de novas lojas, trazer mais marcas e produtos. Quero principalmente surpreender meus clientes a cada visita às nossas lojas, para que eles tenham uma experiência de compra diferenciada da dos demais players do mercado.

Créditos:

- Fotos: Cassiano Lopes
- Stylist: Rafaela Cavalcanti
- Produtora executiva: Anna Guirro
- Beauty artist: Thais Cassolari
- Assistente de moda: Vicursini Victoria Cursini

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