Cultura

Óculos compostos por pedras preciosas afastam o mal

As lentes de pedras preciosas contribuem para a singularidade das peças

Óculos compostos por pedras preciosas afastam o mal
Óculos compostos por pedras preciosas afastam o mal

Datados do século 17, dois pares de óculos serão leiloados em breve, em prováveis lances milionários. Incrustados de pedras preciosas, as joias são compostas por lentes de diamante e esmeralda no lugar do vidro. Há a crença de que eles pertenceram originalmente aos nobres do Império Mughal, que governaram o subcontinente indiano.

O projeto prometia auxiliar o portador a conquistar a iluminação e afugentar o mal. Os óculos serão exibidos pela primeira vez em uma turnê por Nova York e Hong Kong. Os óculos são raros exemplos do artesanato próprio da joalheria mogol, conforme afirma Edward Gibbs, presidente da Sotheby´s para o Oriente Médio e Índia.

Sotheby´s-óculos de pedras preciosa
Foto: Cortesia Sotheby’s

As lentes de pedras preciosas contribuem para a singularidade das peças. Conta-se que as lentes de um par foram fracionadas a partir de um único diamante de 200 quilates, achado em Golconda, região que atualmente se encontra nos estados indianos de Andhra Pradesh e Telangana.

A Sotheby’s acredita que o diamante original tenha sido o maior já encontrado. As lentes verdes do segundo par, designado de “Portão do Paraíso”, devem ter sido segmentadas a partir de uma esmeralda colombiana de mais de 300 quilates.

Pelo tamanho das pedras originais, admite-se que os primeiros proprietários dos óculos tenham sido um imperador, alguém de seu círculo íntimo ou um cortesão de alto escalão.

Sotheby´s-óculos de pedras preciosa
Foto: Cortesia Sotheby’s

Nas tradições islâmicas e indianas, as gemas estão diretamente associadas à espiritualidade. Para Gibbs, os diamantes eram símbolo da “luz celestial” e da “iluminação” nas sociedades indianas, uma vez que as pedras brilhantes eram entendidas como “veículos para as forças astrais”, isto é, propagariam as intenções auspiciosas do universo. 

Já o verde é associado ao paraíso, à salvação e à vida eterna no Islã, religião praticada pelos governantes Mughal. Enxergar o mundo por meio dos óculos esmeralda seria como uma viagem pelo portal para o paraíso, conforme explica Gibbs.

A Sotheby’s avalia que os dois pares de óculos sejam vendidos por £ 1,5 milhão e £ 2,5 milhões ($ 2,1 milhões a $ 3,5 milhões) cada. Mesmo com séculos de idade, as reluzentes armações cintilantes e as charmosas silhuetas tornam as peças atemporais.

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Foto: Cortesia Sotheby’s

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