Chanel: otimismo e alto-astral no Inverno 2021
Virginie Viard apostou todas as suas fichas em uma mistura harmoniosas de épocas na Chanel. O resultado? Uma proposta jovem e contemporânea!
Assim como na couture apresentada em janeiro, um clima de otimismo e alto-astral deu o tom à apresentação da Chanel, a primeira deste penúltimo dia da semana de moda parisiense. Frenético, em ritmo de colagem, o filme dirigido pela dupla Inez and Vinoodh alternou imagens no camarim e o desfile. “Adoro contrastes, por isso para as peças de inverno mais volumosas, queria um espaço pequeno. Não sei se é por causa da época em que vivemos, mas eu queria algo quente, animado. Imaginei as modelos fazendo um show para elas mesmas, indo de sala em sala, cruzando-se nas escadas, empilhando os casacos no vestiário e subindo ao andar seguinte para se trocar. E pensei nos programas que Karl me contava, naquela época, muito tempo atrás, quando as modelos se vestiam e maquiavam”, explica Virginie Viard, descrevendo a atmosfera no texto enviado à imprensa.
Foi assim que ela escolheu como locação o icônico restaurante Castel, em Paris. E ela leva essa mesma ideia para a coleção, que mistura referências a épocas diferentes e que resulta em uma proposta jovem e contemporânea – a moon boot, calçado herdado do ski e que ficou popular no final dos 1960 com a ajudinha da chegada da Apollo 11 na lua, referências aos 1990 e aos tradicionais códigos visuais da marca aparacem lado a lado. Um terninho de tweed preto com pequenos xadrezes em lurex azul é adornado com finos suspensórios de pérolas e camadas de colares sautoir, enquanto delicadas blusas em chiffon ou crepe de Chine se combinam com peças inspiradas no sportswear de inverno. “Esta coleção é uma mistura de duas influências: o ambiente das férias de esqui, que adoro, e uma certa ideia do cool chique parisiense, dos anos 1970 até agora”, diz Virginie.
E mais: sapatilhas de lantejoulas, minaudières cobertos de strass usadas como um colar, camisa preta masculina com gola e punhos brancos sob um terno precioso em lurex marinho, kilt de tweed sobre jumpsuit de malha decorado com fios iridescentes surgem na coleção. “Hoje, algumas dessas silhuetas me faça pensar no fascínio de Stella Tennant, a maneira como ela usava certas peças, era tão Chanel”, finaliza a diretora criativa referindo-se à supermodelo britânica que faleceu no final do ano passado. No final da apresentação, as garotas Chanel chegam a uma rua vazia em companhia de Virginie. Ainda que Paris permaneça silenciosa, há esperança de dias mais agitados.