Gastronomia

Temple & Chapon: um jantar entre Paris e Nova Iorque

Dentro do novo hotel Experimental Marais, um restaurante que transita entre a tradição francesa e o espírito nova-iorquino.

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O ambiente do Temple & Chapon | Foto: Mr Tripper

Jantei no Temple & Chapon numa noite de primavera, depois de cruzar a entrada do recém-inaugurado Hotel Experimental Marais. Não sabia exatamente o que esperar, talvez um restaurante de hotel com ambição, talvez uma daquelas tentativas forçadas de americanismo. Mas bastaram alguns passos até a mesa para perceber que havia algo ali que funcionava. A sala era iluminada por velas e candelabros. A música preenchia o ar sem interferir na conversa. Um cenário quase teatral, mas nada artificial.

O bar do Experimental Marais | Foto: Mr Tripper

O restaurante ocupa o térreo do novo empreendimento do grupo Experimental, no bairro do Haut Marais, e carrega a assinatura de Tristan Auer, o mesmo por trás do Hôtel de Crillon e do Les Bains. O projeto é inspirado na figura de um viajante ficcional: esteta, curioso, cosmopolita. Um personagem imaginário, mas fácil de identificar, alguém que gosta de comer bem, beber melhor ainda, e se cercar de beleza sem fazer alarde. E é justamente essa vibração que o Temple & Chapon consegue transmitir.

O ambiente do Temple & Chapon | Foto: Mr Tripper

A ambientação mistura drama e aconchego. O pé-direito alto, os arcos e a paleta quente criam uma espécie de catedral laica da gastronomia, grande, sim, mas íntima. São 100 lugares distribuídos com inteligência, o suficiente para dar movimento ao salão sem transformar tudo em ruído. Quem comanda a cozinha é Mélanie Serre, e a proposta é clara: reinterpretar os clássicos das "chop houses" nova-iorquinas dos anos 50 com leveza, técnica e sensibilidade francesa. 

Pithivier de légumes | Crédito: Mr Tripper

A carne é presença obrigatória no cardápio, mas o que mais me encantou foram os pratos que escapam da obviedade. O pâté en croûte, por exemplo, é executado com precisão cirúrgica: massa perfeita, recheio profundo, tempero equilibrado. Já o pithiviers de legumes é pura elegância vegetal, massa folhada delicada, recheio quente e macio, um sabor que se constrói aos poucos, com discrição e firmeza.

Mélanie Serre | Divulgação

É claro que nem tudo é perfeito. Mas nada que comprometa o conjunto. Temple & Chapon acerta naquilo que é mais difícil: a atmosfera. Consegue ser sofisticado sem parecer esnobe, casual sem cair na banalidade. Os coquetéis, com pegada americana e sotaque nova-iorquino, são um capítulo à parte. Vários foram importados de bares em Nova Iorque, um gesto simpático que reforça a ponte entre as duas cidades. A carta de vinhos tem curadoria primorosa, e é impossível não mencionar Claire, a sommelière. Atenta, generosa, apaixonada pelo que faz, ela é um exemplo raro de hospitalidade verdadeira. Me guiou por taças surpreendentes com a mesma leveza de quem só quer que você beba algo bom.

A sobremesa Paris_New York | Foto: Mr Tripper

Temple & Chapon me conquistou por isso: pelo cenário, pelos acertos no prato, pela liberdade com que mistura códigos nova-iorquinos e franceses sem tentar provar nada. Para quem, como eu, ama Nova Iorque e se deixa seduzir por Paris, é reconfortante encontrar um lugar onde as duas cidades conversam, com sotaque, com estilo, com velas acesas.

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