Misci apresenta nova coleção em uma separação de poderes
Em um convento no bairro do Ipiranga, em São Paulo, Misci apresenta sua nova coleção. Veja todos os detalhes!
Ocupando convento construído há 100 anos no Ipiranga, em SP, Airon Martin apresentou coleção que abre uma separação de poderes na sua Misci — ironicamente, talvez sem querer, remetendo à ideia de separação Igreja-Estado. Sintomas de um amadurecimento interno da etiqueta, assim como de planejamento estratégico, que tem feito um esforço de ir além dos pontos de venda próprios com foco no atacado; passo sempre ousado para marcas com pouco tempo de vida no mercado brasileiro. Essa separação, diz ele, pode ser vista na comparação entre coleções. A anterior, apresentada na Bienal com Ivete Sangalo na passarela, era baseada na Misci-raiz para atender aos diferentes públicos (e multimarcas) espalhados pelo país. Esta, batizada de “O culto a si”, quer dar um passo estético além, mirando um desejado consumidor internacional — Airon voltou há pouco de showroom em Milão, onde pôde medir o termômetro da sua moda sob o crivo for export. E aí que se vê até onde tal “Brasil não caricato”, como ele define, funciona para olhares que sabem pouco sobre nossa cultura. A Misci é uma marca que evolui sua moda e códigos bem aos poucos; é fácil apontar, entre coleções, peças e ideias que vão se refinando e revisando. Um movimento que não é necessariamente ruim (ainda mais para um mercado interno pouco explorado e para a moda em geral, que vem se cansando de mudanças rápidas) mas que precisa ser bem formulado para não cansar o olhar. Daí que marcas registradas vêm e vão: os recortes sinuosos se resolvem mais facilmente enquanto a paleta terrosa ganha bem-vindas tonalidades mais escuras. A marca é boa de interpretar sinais (desta vez, dos compradores internacionais) e transformar em produtos que agradam sua audiência — seja nos vestidos canelados transparentes, na sensualidade cult ou nos materiais, como o pirarucu e o belo couro plissado. Em paralelo, lança uma nova bolsa (batizada de Forró) sob a voz de @bebesalvego (som mais contemporâneo do que suas trilhas anteriores). E, timidamente, abre alas para a nova etiqueta, Airon Martin: um laboratório paralelo de criações sob medida que vai centralizar experimentações de materiais e técnicas.