Place Vendôme guarda joias e relógios Chanel antigas e atuais
O número 18 da Place Vendôme, em Paris, guarda joias e relógios Chanel de ontem e de hoje no setor Patrimoine
Era de sua suíte no Ritz, entre 1937 e 1971, que Gabrielle Chanel avistava a Place Vendôme, referência máxima do luxo e da elegância parisiense. É no número 18, quase em frente ao hotel, que está a Chanel. A flagship foi reinaugurada há cerca de dois anos, após uma longa reforma comandada pelo arquiteto Peter Marino, para abrigar joias e relógios da marca francesa. É no prédio de três andares decorado em tons de bege, marrom, dourado e preto com tapetes em padrão de tweed que se encontra o espaço exclusivamente dedicado ao patrimônio histórico da marca, chamado de Patrimoine, refletindo a paixão da estilista por peças verdadeiras ou fantasia, conhecidas como “joias de alta-costura”.
Em 1993, seis anos após a criação do segmento de relógios, a Maison abriu a sua divisão de Joalheria Fina e decidiu criar um arquivo dedicado às duas linhas, além de reunir seus desenvolvimentos mais preciosos. O coração desse acervo são 39 joias criadas por Mademoiselle ao longo de sua vida. Em 1932, ela lançou a Bijoux de Diamants, sua primeira e única coleção de alta joalheria, inovando ao propor uma unidade de tema, tempo e estilo. Também inventou uma forma original de exibição no seu apartamento na Rue du Faubourg Saint-Honoré, composta por manequins de cera com cabelos e maquiagem desenhados por ela – o que exibiu o colar Franges pode ser visto no Patrimoine.
A primeira missão do projeto foi localizar essas peças, então em coleções particulares. As que não foram vendidas na apresentação foram desmontadas e os diamantes devolvidos à Diamond Corporation Limited de Londres, que encomendou a coleção para impulsionar o mercado de diamantes após a quebra de Wall Street em 1929. Das 47 peças fotografadas ou descritas na imprensa em 1932, apenas duas ressurgiram: os broches Plume e Comète, que foram adquiridos em leilão em Genebra pela Maison em 2000. Um mistério ainda envolve as outras peças, já que não há registros sobre quais foram comercializadas e quais foram desmanchadas.
UNINDO PASSADO E PRESENTE, O acervo É ENRIQUECIDO constantemente. POR ENQUANTO, ACOMODA 132 PEÇAS DE alta joalheria ENTRE 1993 E 2023.
Embora nunca tenha desenhado outra coleção, Gabrielle continuou a oferecer joias aos seus clientes até sua morte. Paralelamente ao seu grande amor pela simplicidade, também era fascinada pela exuberância do barroco, recordando sem dúvida os motivos decorativos religiosos da sua infância. Suas referências de pessoas que conheceu e dos lugares que visitou, das riquezas da corte imperial russa aos palazzi venezianos, e do estilo renascentista à arte medieval também aparecem em seu trabalho. Seu processo criativo incluía se fechar à noite em um quarto rodeada por gavetas repletas de pedras preciosas e motivos em pasta de vidro – técnica milenar que ressurgiu no período art nouveau, cuja composição vitrificada, colorida ou incolor permite substituir pedras preciosas –, bem como joias verdadeiras que elpacientemente iria desmantelar. Depois, armada com ferramentas e bloco de cera, esculpia novas formas. “Eu passo horas fazendo isso, esqueço todo o resto, é a única coisa que realmente me diverte”, já declarou a estilista.
Entre 1993 e 2015, a Chanel desenvolveu 36 reedições idênticas das Bijoux de Diamants. Patrice Leguéreau, diretor do Estúdio de Criação de Joalheria da grife, também foi buscar nas linhas modernas da coleção original referências para as coleções de aniversário batizadas de 1932, lançadas em 2012 e 2022. Unindo passado e presente, o acervo é enriquecido constantemente. Por enquanto, acomoda 132 peças de alta joalheria produzidas entre 1993 e 2023. Entre elas estão o colar Constellation du Lion, que é dedicado ao signo de Gabrielle e traz um diamante amarelo de 32 quilates; o colar 55,55 da coleção N°5, que marcou em 2021 o centenário do famoso perfume; e o colar Tweed Couture, de 2023, resultado de um hábil entrelaçamento de fios de ouro rosa e platina, embelezado com pérolas e pedras preciosas.
Neste espaço que abraça toda a riqueza e variedade das joias características de Gabrielle Chanel, as peças são classificadas de acordo com os temas icônicos da Maison: pérolas, N°5, camélia, leão, trigo, fusão masculino-feminino, linha, estrelas, alta-costura, bizantino, coromandel (técnica de pintura chinesa com laca) e decoração. Todo o ambiente reforça o esforço da marca em manter vivos o talento e a visão criativa de Mademoiselle Chanel.