Traço orgânico: Um mergulho no mundo surrealista de Paola Vilas
A nova safra de designers brasileiros tem rendido belas apostas. E Paola Vilas está entre as que mostram como investir em um produto inovador no terreno da joalheria. Primeiro, a carioca, de 26 anos, fez sucesso fora do país, com direito a pontos de venda como Net-a-Porter e Selfridges, nos Estados Unidos e em Londres, respectivamente. Agora, comemora reconhecimento nacional e abre seu primeiro espaço nos Jardins, no miolo cool de São Paulo.
Seu trabalho conta muito do que ela é como pessoa, e suas peças vêm diretamente de seu inconsciente. Por isso o design tão único com um toque de surrealismo – é impossível passar por uma de suas criações e não notar sua presença. Cada designer possui um processo criativo pessoal e Paola aprendeu com maestria como lidar com o seu: “Eu trabalho de forma bem orgânica e natural. Vou criando as peças, desenhando, quase expurguando essas ideias sem estar presa e amarrada a nenhum conceito específico. Vou colocando o que sinto para fora”.
Ela também debate questões atuais em suas peças, como o feminismo, e sempre sob uma perspectiva estética inovadora e escultural, algo que já virou referência em seu trabalho. É interessante ressaltar que a produção de suas joias é toda feita localmente, na cidade do Rio de Janeiro, provando que é possível ter um bom produto desenvolvido e pensado no Brasil. Paola crê muito no potencial da joalheria como uma possibilidade de criar pequenas esculturas que pudessem estar no mundo – é como levar arte para o dia a dia. “Eu acredito que tudo que faço precisa ter um propósito. Não é uma egotrip. Crio pensando em como e o que as joias vão provocar nas pessoas. Acho que a joalheria tem essa potência, de trazer criatividade e arte para a vida de uma maneira muito positiva”, fala.
Ela não escolheu fazer esculturas exatamente por isso – acha que a criação acaba ficando muito restrita na sala de uma casa ou numa área de convivência muito íntima. Paola curte a interação, o efeito que suas peças provocam e as conexões que podem promover.
Quando questionada sobre as dificuldades encontradas no mercado de moda e design brasileiro, ela explica que é um desafio constante. “Eu acho que todo o mercado pequeno, principalmente aquele com foco artesanal, é difícil. É preciso aliar uma empresa saudável, transparente, a um negócio sustentável que ainda tenha um preço justo”, ressalta.
Além disso, ela se sente superorgulhosa de ter todas suas peças feitas 100% no Brasil e acredita muito no fortalecimento das grifes pequenas, juntamente com o mercado e os produtores locais – em todos os segmentos. Na hora de criar suas peças, seu material favorito é a prata, apesar de Paola não se restringir apenas a ele – ela faz peças de ouro sob encomenda e alguns produtos para exportação. “A prata é a grande eleita, pois possibilita um acabamento muito bom e também consigo fazer com que as pessoas usem as peças no dia a dia. A prata é um material mais diverso. Dá o status de joia, mas também não restringe o uso.”
Paola ainda revela que a joalheria é o segmento escolhido para amadurecer ao criar as peças, um suporte incrível para que pudesse expressar sua visão do mundo. “Agora estou expandido para outras áreas. Eu já faço mesas sob encomenda e em breve vou oferecê-las por venda direta no novo endereço, em São Paulo. Fazer mobiliário é basicamente como fazer uma joia, mas com uma escala aumentada”, finaliza.