Pége: a marca que está ganhando o circuito cool de São Paulo
Como boa geminiana, Patrícia Giufrida é bastante comunicativa e criativa. Formada em design gráfico, ela está atualmente no comando solo da Pége, uma marca de sapatos e bolsas minimalistas do circuito cool de São Paulo. A label teve início em 2015, quando Patrícia e a ex-sócia, Mariana Adjuto, tiveram a ideia de produzir um sapato durante os tempos de faculdade. O sucesso foi praticamente instantâneo, atraindo clientes e atenção da mídia. O primeiro produto foi o Cora, um calçado do tipo babuche superconfortável – e que é um hit até hoje.
A escolha por tomarem caminhos separados partiu das duas. Mariana decidiu se dedicar aos estudos fora do Brasil, e Patricia, expandir a grife. Com passagem pelo estúdio do arquiteto Guto Requena, ela tem um olhar afiado quando o assunto é design, além de ser uma colecionadora de objetos de sua viagens, o que a ajuda também a se inspirar no dia a dia. “Eu acredito que o produto precisa contar uma história ou passar uma mensagem”, diz. Aproveitamos a nova fase para bater um papo com a designer e discutir a moda nacional e seus planos futuros.
L’OFFICIEL Como está sendo a transição para comandar a Pége sozinha?
PATRÍCIA GIUFRIDA O primeiro desafio é não ter alguém para discutir ideias no dia a dia. Para mim, é importante ter essa troca. É nesse exercício que ouvimos críticas construtivas e desenvolvemos mais as propostas. Sou uma pessoa comunicativa e isso faz falta. A divisão de tarefas acaba pesando também.
L’OFFICIEL Como você costuma se inspirar?
PG Eu reúno imagens ou obras das quais gosto e depois separo de acordo com o mood de cada uma. Além disso, desenho bastante e exploro arquivos vintage. Meu próximo passo é fazer uma viagem pelo Brasil e buscar inspirações em nossas raízes, que foram pouco exploradas, mas que são muito ricas, e de alguma forma levar para o design de sapatos. Cada lugar tem sua identidade e acho isso incrível.
L’OFFICIEL De que maneira você acha que o Brasil pode ser usado como uma potência criativa?
PG Acho que temos uma cultura muito rica de artesanato e de pintura, e isso pode ser traduzido nos acessórios. Usar a mão de obra de pessoas, com responsabilidade, de regiões que precisam de ajuda e apoio econômico é outra coisa que penso em fazer. Isso valoriza muito o produto e deixa o projeto mais especial.
L’OFFICIEL: Para você, quais são os principais desafios de ter uma marca no Brasil?
PG: Acho que o reconhecimento. O meu público-alvo, principalmente, olha muito para marcas internacionais. É algo que fiz muito, mas hoje tento escolher e incentivar a moda brasileira. Até na hora de buscar referências, acabamos não valorizando o design nacional, não vemos o Brasil como uma fonte de inspiração.
L’OFFICIEL: Quais são os próximos passos?
PG: Quero diversificar mais o meu mix de produtos, apostar em novas peças e numa grade maior. Além disso, estou com o projeto de abrir uma loja no bairro dos Jardins, em São Paulo, junto com o estilista Marcelo Von Trapp. A ideia do espaço é abrigar produtos e contribuir um com a marca do outro: o meu calçado e as roupas dele serem usados juntos. Já fizemos uma parceria anteriormente, para o seu desfile na Casa de Criadores em 2018, e deu supercerto. Queremos ter mais algumas marcas no local, um corner de joias, mas estamos pensando em quais ainda. Além disso, pretendo lançar uma coleção de biquínis também para o verão 2019/20.
Atualmente você pode encontrar a marca no e-commerce Shop2gether, além das multimarcas Pinga e Pair.