Jérôme Epinette em entrevista exclusiva para a L'Officiel
Quebra-cabeça! Jérôme Epinette, perfumista de uma das mais importantes casas de fragrância do mundo, a Robertet, fala sobre a sua jornada por aromas – algo que costuma resultar em novas criações best-seller
Guiado pelos sentidos, o aclamado perfumista francês Jérôme Epinette é um apaixonado pela gastronomia, pela enologia e, claro, pela descoberta de novos acordes e aromas, mesclando ingredientes naturais com notas sintéticas de excelência. Conversamos com o expert, que tem em sua lista de criações perfumes para marcas como Anna Sui, Van Cleef & Arpels e L’Occitane en Provence, sobre o seu processo criativo, inspirações e a paixão pela viagem.
Como você conduz o seu processo criativo para a elaboração de um perfume?
Eu costumo usar todas as minhas memórias de viagens pelo mundo no momento da criação de uma fragrância. Descobrindo diferentes tipos de artes, ouvindo música local e degustando novos sabores. Absolutamente qualquer coisa pode ser transformada em fonte de inspiração na perfumaria.
Sabemos que diamantes e metais (como o ouro) não são aromáticos, mas inspiraram fragrâncias ao longo da história da perfumaria. Como você imagina acordes para esses elementos?
Eu imagino, em uma situação como esta, o uso de um ingrediente luxuoso, chique e precioso – tudo ao mesmo tempo, como é o caso da rosa. Isso ocorreu na minha mais recente criação para a Tiffany & Co [para o perfume Rose Gold]. Essa flor é o ingrediente mais feminino que existe. Ele foi, para mim, o melhor ponto de partida para a criação.
Você poderia falar um pouco sobre a pirâmide olfativa dessa última fragrância criada com uma casa de joalheria mundialmente conhecida?
Rose Gold é um floral amadeirado fresco, sofisticado, rico e feminino. Há um brilho nele. Uma energia renovada toda vez que você o pulveriza. Há pimenta-rosa, mandarina e groselha preta. Elas trazem o frescor. Então seguimos para o coração da fragrância, que revela um requintado acorde de rosa azul. Ao fundo, um amadeirado sofisticado e moderno finaliza a assinatura.
As mulheres brasileiras adoram perfumes florais frutados. Você acha que essa combinação funciona bem em países quentes, como o Brasil?
Desde que as frutas envolvidas não sejam “pegajosas”, sim. As frutas frescas e suculentas são as que combinam melhor com um buquê floral.
Você é francês e já trabalhou em Grasse, a meca da perfumaria mundial. Mas poderia indicar outros destinos que são intensos para amantes dos aromas?
Essa é uma pergunta complicada, porque cada país tem seu próprio tesouro. O Marrocos, por exemplo, tem neroli e flor de laranjeira. A Indonésia, o jasmim e a canela. Em Madagascar podemos citar a baunilha, o ylang-ylang e a pimenta-preta. Já o Brasil é a casa da fava tonka e da laranja. Eu poderia continuar citando um roteiro aromático por horas.
Um pilar de sua inspiração no mundo dos aromas é a natureza. Como enxerga a sustentabilidade dentro desse segmento de fragrâncias?
A perfumaria está se tornando cada vez mais sustentável. A Robertet, onde trabalho desenvolvendo perfumes, é líder mundial em ingredientes naturais, em termos de abastecimento e sustentabilidade. Tudo é controlado e feito em harmonia com a comunidade local, garantindo que não estamos colocando em risco a natureza por excesso de colheita, por exemplo.
O que combina com um bom perfume?
Eu sinto que o perfume é como uma joia. Você precisa encontrar o caminho certo, aquele que o deixará confiante. Você pode usar qualquer coisa, desde que seu perfume o torne feliz.