Burnout: O que é e como tratar a síndrome
Entenda a síndrome burnout, o que ela é, seus sintomas e como tratá-la
Você já ouviu falar sobre o “burnout”? Conhecida também como “Síndrome do Esgotamento Profissional”, esse termo está sendo cada vez mais discutido ao redor do mundo, colocando o debate sobre bem-estar no local de trabalho nos holofotes. Este é um distúrbio emocional ligado diretamente com o cansaço e desgaste e, entre seus principais sintomas estão fatores como falta de vontade de trabalhar, estresse, insônia e dificuldade de concentração.
Para te auxiliar a compreender melhor essa síndrome, os perfis de trabalhadores que mais são afetados por ela e como tratá-la, convidamos a psiquiatra Maria Francisca Mauro e a psicóloga Fabiane de Faria, para falar sobre o assunto. Confira.
O que é “burnout”? O que significa essa síndrome?
“O sentido do termo “burnout” vem do inglês em que significa um cansaço extremo, ou mesmo um esgotamento total de energia em que a pessoa não se sente apta para realizar suas atividades de trabalho” explica Maria Francisca Mauro.
De acordo com a psiquiatra, o termo entrou como uma doença ocupacional na lista da Organização Mundial de Saúde e em janeiro de 2022 passará a constar no sistema classificatório de doenças internacionais. “Mediante esta mudança para doença ocupacional passará a ser um quadro possível de ser diagnosticado e configurado como um motivo de afastamento ocupacional", explica.
Há alguma forma de evitar o burnout? Que dicas você daria para prevenir a síndrome?
“A melhor forma de prevenir é o equilíbrio” revela Fabiane de Faria. De acordo com a psicóloga, é necessário “definir quais são suas metas, seus objetivos, ter horário para tudo, conseguir se desligar do trabalho no fim de semana, fazer atividades em família, focar nas atividades de lazer”. A psicóloga indica ainda que, em casos de uma semana mais pesada, quebrar a rotina e se encontrar com amigos ou sair para comer.
Além disso, ela revela que é essencial não abandonar as suas atividades físicas e conversar com alguém. “Se você notar que realmente está com pensamentos ansiosos, procure uma ajuda profissional, alguém que você possa realmente se abrir e não deixar com que isso estoure em algum momento e se torne alguma coisa impeditiva na sua vida” explica.
Outra coisa importante, de acordo com a psiquiatra Maria Francisca Mauro, “é desenvolver ambientes de trabalho mais acolhedores em que realmente se perceba a saúde mental dos seus colaboradores”.
Quais são seus principais sintomas?
De acordo com Maria Francisca, os sintomas do quadro de burnout são característicos de um quadro depressivo, mas todo o conteúdo que a pessoa expressa de sofrimento está relacionado ao trabalho.
Entre os sintomas listados por Maria Francisca Mauro e Fabiane de Faria estão exaustão constante, pensamento muito acelerado, dor de cabeça, insônia, dificuldade de concentração, apatia, falta de vontade quanto ao trabalho, perda do interesse nos assuntos relativos ao trabalho, medo intenso de iniciar alguma atividade ou não ter forças para suportar sua execução.
“Mesmo que você trabalhe muito, chega uma hora que você não consegue mais produzir, estimula sentimento de derrota, de incompetência” revela Fabiane de Faria.
Existe algum perfil de pessoas ou profissionais que está mais propenso a ter essa síndrome?
“Pessoas que têm traços maiores de perfeccionismo, obsessivas e com propensão para internalizar críticas. Assim, como as inseguras, com baixa tolerância à frustração, ou com baixa autoestima” explica a psiquiatra. “Sem se esquecer das que precisam realizar o trabalho em casa, associado à educação dos filhos e aos cuidados da casa, ou seja, as mulheres”.
Maria revela ainda que pessoas da área de saúde como médicos plantonistas de emergências, enfermeiros, técnicos de enfermagem, ou aqueles que trabalham em regime de plantão estão mais propensas a ter um burnout.
“Além de diversas categorias profissionais, como jornalistas, repórteres, da área de marketing, ou qualquer área em que a pessoa sinta que precisa estar 24 horas online, ou mesmo, estar disponível para o trabalho mesmo quando dorme”.
Quais são as formas de tratamento?
Uma mudança no estilo de vida é o grande tratamento para o burnout, com diminuição dos fatores estressantes, com tempo para si. Segundo Maria Francisca Mauro é necessário incluir na rotina pausas mentais de respiro, convívio com a família e um ambiente de trabalho menos nocivo. Entre as mudanças, exercícios físicos, uma boa alimentação e meditação são algumas das práticas mais conhecidas.
“E sem dúvida, conforme a intensidade destes sintomas serão necessários tratamento psicológico e psiquiátrico, com uso inclusive de medicamentos para dar suporte ao sofrimento emocional desencadeado” explica a psiquiatra.
O burnout pode estar associado com outros tipos de problemas psicológicos?
“Sim, com quadros depressivos, de ansiedade e a tem mesmo sintomas de pânico quando a pessoa precisa voltar ao trabalho, ou abrir sua caixa de e-mail” revela Maria Francisca Mauro.
Atualmente esse tema está sendo muito falado na mídia, para você há algum motivo para que os holofotes estejam voltados a essa síndrome?
Tanto para a psicóloga quanto para a psiquiatra, a pandemia foi um grande motivo para que o assunto tenha sido mais abordado na mídia. “As pessoas estão realmente esgotadas e é uma síndrome que tem aparecido bastante por conta desse excesso mesmo, da gente tá trabalhando com tudo em excesso” revela Fabiane de Faria.
“Com a alta produtividade, as ameaças de mercado e toda conjuntura de insegurança mundial, as pessoas se sentem refém de rotinas extenuantes por não verem outra forma de se manterem naquele emprego” explica Maria Francisca.
“Estamos mediante uma mudança de paradigmas nas relações de trabalho que não podem ser ignorados, ou mesmo, subestimados em nome da “máxima” amo com o que trabalho no LinkedIn e com a cabeceira com remédios para dormir e acordar para suportar 18 horas de jornada. Somos humanos antes de máquinas hiper conectadas” explica a psiquiatra. “Não é uma apologia ao não uso de medicamentos quando necessário, mas uma crítica a um modelo de relações de trabalho que predispõe a um adoecimento coletivo”.