Hauvette & Madani assinam as mais belas residências particulares
Hauvette & Madani assinam algumas das mais belas residências particulares entre o Triângulo de Ouro de Paris e o lago de Genebra
Eles se conheceram nos bancos da escola Camondo, criaram sua própria agência logo depois da formatura e assinam, há uma década, algumas das mais belas residências particulares entre o Triângulo de Ouro de Paris e o lago de Genebra. Confira!
Para esta dupla criativa, a arquitetura surgiu naturalmente. Samantha Hauvette vem de uma família de artistas. Primeiramente desejava ser estilista de moda, mas matriculou-se na faculdade de direito, onde se sentiu um peixe fora d’água. E compreendeu então que a arquitetura de interiores e o gosto pelo belo não são apenas a afirmação de um estilo, mas uma profissão. “Eu deixei a universidade para entrar na escola Camondo da qual saí diplomada em arquitetura de interiores e em design. Eu e Lucas fizemos todos os nossos estudos juntos, desde o preparatório até o último ano. Pegamos o caminho da arquitetura sem nos questionarmos.” Lucas Madani também é fruto de uma família criativa. Seu pai é marceneiro e sua mãe estilista e fotógrafa culinária. “Acredito que a minha profissão seja equidistante das profissões dos meus pais, da arte e do artesanato.” Na escola Camondo, tiveram como professores a talentosa designer Inga Sempé – que foi residente da Villa Médicis e laureada com o grande prêmio de design da cidade de Paris e que os marcou muito –, e o saudoso Patrick Boulogne. Uma vez formados, lançam a agência que leva seus nomes aos 25 anos de idade. Forjam sua experiência, os clientes lhes dão carta branca e os belos projetos florescem. Como nos explica Lucas: “Nos especializando em projetos privados, pudemos apreciar cada reunião. Gostamos dessa simbiose entre as ideias dos clientes e as nossas. Retrospectivamente, isso nos permitiu encontrarmos nosso próprio estilo. E todas essas belas histórias não nos impediram de criar hotéis, restaurantes e até mesmo escritórios. Gostamos de ter vários tipos de clientes”.
Mas qual é então o estilo deles? “Parece-se com um interior patinado, mas não antiquado. Gostamos desse sentimento de experiência.” Assim, eles gostam de reunir períodos e gêneros diferentes, sendo que a art déco e a arte dos anos setenta permanecem suas favoritas. A dupla parte sempre de uma caixa branca.
Os materiais vêm para colori-la, vesti-la, principalmente a madeira, seu material-fetiche, ou o mármore. Eles apreciam os materiais valiosos, mas não os impõem de imediato. Preferem brincar com eles nos detalhes e através do know-how dos artesãos.
Enquanto cada vez mais arquitetos utilizam a inteligência artificial e o 3D, Hauvette & Madani são um pouco ambivalentes sobre o tema. “Fazemos muitas perguntas sobre o design e a inteligência artificial. Ainda não decidimos onde nos posicionamos, mas uma coisa é certa, nossa preferência é o artesanato. Gostamos de trabalhar um protótipo e fazê-lo evoluir se necessário muito mais do que fazer uma mesa em 3D e vendê-la sem jamais tê-la visto. Essas novas tecnologias servem para nos inspirarmos, mas nunca para realizarmos o produto final. Testei a inteligência artificial propondo várias ideias, queria ver de que maneira elas se encaixariam. Mas o trabalho de arquitetura não é apenas escrever frases. A inteligência artificial é perfeita para testar ideias à maneira de uma conversação, com suas idas e vindas, mas certamente não para um objetivo em linha reta. Por outro lado, o que mudou foi a obsessão de nossos clientes pelo 3D, a fim de terem certeza de não se enganarem.
Ora, a imagem não é comparável à experiência, à vivência, ao olho. O 3D apresenta uma ideia do volume e do ambiente geral, mas é tudo. Sua utilização se tornou uma obrigação e faz parte do nosso processo de trabalho, mas o olho permanece nosso melhor aliado.” Justamente por isso gostamos tanto do trabalho da Villa Guggenbühl de André Lurçat, discípulo de Robert Mallet-Stevens, em frente ao parque Montsouris em Paris, onde Hauvette & Madani reformaram um apartamento/ateliê. Para esse projeto, a dupla partiu de linhas simples e trouxe madeira, fibras naturais nas paredes ou aço inoxidável polido na cozinha. Adoramos o apartamento da colecionadora de arte da Avenue Montaigne, no qual eles fizeram a curadoria para colocar em evidência obras incríveis misturadas a uma lareira Sarah Crowner, a uma poltrona vintage Egg Garden, a um sofá-cama Jean Prouvé, uma escultura de Franz West… Novamente aqui Hauvette & Madani misturam as épocas e os estilos e dão vida às peças dos artistas.
“NOS especializando EM projetos PRIVADOS, PUDEMOS APRECIAR CADA REUNIÃO. GOSTAMOS DESSA simbiose ENTRE AS IDEIAS DOS clientes E AS NOSSAS”
Quanto às criações abertas ao público, devemoslhes o hotel Wallace em Paris, inspirado em suas viagens, entre um trem de luxo e um bar da Riviera, ou o restaurante do chef egípcio Omar Dhiab, um lugar no qual o arredondado das curvas e a luz perfeitamente ajustada fazem os materiais nobres imporem-se majestosamente. No que concerne aos projetos, estão trabalhando em um hotel na Camarga para o proprietário da Bains Douches, Jean-Pierre Marois, e em uma galeria de Londres. Vendo suas criações, pensamos em seus mentores, entre os quais Jean-Michel Franck, Pierre Chareau, Jacques-Émile Ruhlmann, sem esquecer o americano Frank Lloyd Wright ou o brasileiro Oscar Niemeyer. Tal como muitos arquitetos atuais, eles também desenvolveram uma coleção de mobiliário, batizada como Amuse-Bouche, nascida por ocasião da Paris Design Week 2021. “Nós adoramos e estamos fazendo novamente. Esperamos que esteja pronta no começo de 2024. Trabalhamos com vários artesãos para imaginar diferentes tipos de objetos que não estavam destinados a um cliente em particular. Esta coleção está representada aqui, mas também nas galerias Twenty Seven em NovaYork e Londres e em St Vincents à Anvers.”
“FAZEMOS MUITAS perguntas SOBRE O design E A inteligência artificial. AINDA NÃO DECIDIMOS ONDE NOS posicionamos, MAS UMA COISA É CERTA, NOSSA preferência É O ARTESANATO. GOSTAMOS DE TRABALHAR UM protótipo E FAZÊ-LO EVOLUIR SE NECESSÁRIO MUITO MAIS DO QUE FAZER UMA MESA EM 3D E VENDÊ-LA SEM jamais TÊ-LA VISTO.”
Samantha Hauvette e Lucas Madani são conduzidos por seus desejos, suas intuições, suas respectivas culturas, suas experiências, que adquiriram local após local, seu amor pelo artesanato, por seu trabalho em equipe, pelo desafio. Todo esse DNA leva-os a criar interiores incrivelmente bem-sucedidos.