Uma Thurman se exilou de Hollywood por conta deste filme
Apesar do sucesso, Uma Thurman precisou rever toda a sua carreira
Muito antes de ser indicada ao Oscar por "Pulp Fiction: Tempo de Violência" (1994), Uma Thurman já era um dos nomes mais comentados de Hollywood. Sua beleza singular e talento inegável fizeram com que sua ascensão fosse rápida, mas a atriz nunca se deixou levar apenas pelo glamour da indústria. Desde o início, Thurman demonstrou um olhar crítico sobre os papéis que lhe eram oferecidos e, por isso, tomou decisões que surpreenderam muita gente — incluindo um afastamento temporário da carreira.
A estreia no cinema aconteceu aos 17 anos com o thriller independente "Kiss Daddy Goodnight" (1987), no qual interpretava uma jovem que seduzia e roubava homens. No ano seguinte, seu nome apareceu nos créditos de três produções de destaque. Em "Johnny Bom de Transa" (1988), contracenou com Anthony Michael Hall e Robert Downey Jr. Em seguida, brilhou em "As Aventuras do Barão de Münchausen" (1988), de Terry Gilliam, onde viveu Vênus em uma das sequências mais memoráveis do longa. Mas foi em "Ligações Perigosas" (1988) que Thurman mostrou seu potencial dramático ao interpretar a ingênua Cecile de Volanges, dividindo a tela com Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer. O filme recebeu indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Filme, mas perdeu para "Rain Man" (1988).
Apesar do sucesso, a pressão para aceitar papéis baseados apenas em sua aparência começou a incomodá-la. “De repente, vi minha carreira tomando um rumo que eu não queria”, revelou em entrevistas. "Se eu aceitasse tudo o que me ofereciam, estaria interpretando a namorada do protagonista em filmes esquecíveis pelo resto da vida". Foi então que decidiu se afastar de Hollywood, recusando propostas milionárias para não se tornar refém da indústria.
O retorno aconteceu sem alarde em "Onde Está o Coração?" (1990), e, ao longo da década seguinte, ela conseguiu equilibrar trabalhos autorais e produções comerciais. O grande divisor de águas veio nos anos 2000, quando reencontrou Quentin Tarantino para "Kill Bill: Volume 1" (2003) e "Kill Bill: Volume 2" (2004). A saga vingativa de Beatrix Kiddo rendeu à atriz algumas das melhores críticas de sua carreira e consolidou sua posição como um dos rostos mais icônicos do cinema moderno.
Thurman sempre foi seletiva com seus projetos, evitando cair em padrões previsíveis. Seu percurso em Hollywood é um reflexo de suas escolhas: ousadas, inesperadas e sempre guiadas por sua visão artística.