Casa de Criadores: confira as coleções de Jorge Feitosa e Leandro Castro
Em cor única, Joge Feitosa e Leandro Castro apresentam suas novas coleções na Casa de Criadores. Confira todos os looks!
É sempre interessante ver quando criadores resolvem trabalhar com cor única. Longe das facilidades triviais — afinal, fica mais fácil de combinar padrões visuais — o exercício gera magnitude nas escolhas de materiais, silhuetas e opções conceituais. Dupla de amigos que se apoiam — sempre um no backstage do outro — @jorgefeitosa.jf e @leandrocastrum coincidentemente foram por esse caminho/desafio nesta temporada da @casadecriadores, com soluções particulares. Leandro, apesar de novato por ali com seu segundo desfile, já tem um nome como criador dramático-conceitual com escolhas ímpares de matérias-primas. Não é lá muito adepto a uma moda colorida, o que chama a atenção com esta coleção 100% vermelha. Estamos falando sobre ano eleitoral novamente? Não de propósito — mas ele reforça que “toda moda é política, inevitável”. O assunto vem no viés, ao Leandro adotar a cor para falar de sonhos e cansaços da sociedade. Na miríade de possibilidades que ele tira do sonhar para vida real, estão lá suas silhuetas amplas e estruturadas, assim como alfaiataria (marginal, como chama) e momentos esportivos — numa profusão de repuxos. Nos materiais, seus xodós, todos vindos de reuso, o feltro costumeiro aparece ao lado de neoprenes e estopas tingidas naturalmente para texturas, assim como o tricô imenso feito com desmontes de moletons. De verve mais poética, Jorge já tem experiência pela Casa com moda reflexiva e aberta. Também falando sobre esperança, de certa forma, elegeu a caatinga do agreste do seu país Pernambuco para construir tudo em branco — referenciando a cor do bioma na seca, antes de ser revivido pela chuva; mas também questionando os ideais nada igualitários construídos pela sociedade branca. Pode ser de forma literal, como dos espinhos balangantes na roupa ou nos calçados customizados, ou nas batas, vestidos e calças amplas. Tudo alvo em cena, o espaço é trabalhar texturas e sobreposições de materiais e formas, que Jorge faz bem, entendendo que tipo de tecido cai melhor em qual momento. E com a vantagem de poder colorir as peças com luzes de outros tons, ao final. Ao contrário da vida aqui fora, na passarela o branco aceita tudo.
Jorge Feitosa
Leandro Castro