A volta de Rick Owens para as apresentações presenciais
Após algumas temporadas digitais, Rick Owens volta para as apresentações presenciais e traz uma reflexão sobre qual será o caminho certo a ser seguido
Rick Owens não é muito de se explicar, mas lançou uma reflexão para “justificar” seu retorno a Paris, depois de tanto tempo mostrando suas coleções no quintal de casa por conta da pandemia: “esse desfile deveria ser sobre humildade e uma lição aprendida ou carpe diem?”. É uma discussão que está no ar, com as semanas de moda internacionais funcionando a todo vapor como se nada tivesse acontecido no último ano e meio. Owens não tem a resposta final, mas segue dizendo que sua coleção foca no movimento que fez o povo da moda gostar do que ele faz: focar no refinamento de uma imagem muito própria e a busca de uma beleza a todo custo.
Beleza aqui, claro, na visão do estilista — que não carrega exatamente uma estética fácil de ser engolida por todos. Para marcar esse retorno, colocou logo a mulher/sócia/musa Michèle Lamy para abrir o show, entre fumaças e folhas que caiam do alto (e que ele trouxe do quintal de casa, como uma lembrança da quarentena).
A coleção segue os signos de Owens, obviamente, mas tem um ar quase leve em comparação ao mood pós-apocalíptico que ele costuma se enfiar. O verão do amor, para ele, tem tricôs abertos e desfiados, botas longas e um exercício de volumetria que transforma suas mulheres em ampulhetas — às vezes com ombros apontando ao céu, noutras com saias e calças que abrem para o chão. Pode ser desafiador entender a lógica de sensualidade do mundo do designer, mas ela aparece com força ali, trocando as armaduras protecionistas de outras temporadas por alfaiatarias mais leves e sedas recortadas em contraste direto com as joias brutalistas.