Hommes

Casagrande fala sobre a Copa do Mundo do Qatar em entrevista exclusiva

Walter Casagrande, ex-futebolista e atual comentarista, fala sobre suas apostas para o mundial, opiniões até o momento e seu futuro na profissão em um bate-papo exclusivo. Confira tudo!

Quem nunca ouviu falar de Walter Casagrande Júnior? Mais conhecido como - apenas - Casagrande, nasceu em São Paulo, em 1963 e tem muita história para contar. Revelado no Corinthians, o ex-futebolista iniciou sua carreira em 1980 e de lá para cá nunca mais parou. Atuando ao lado de craques como, Zenon, Biro-Biro e Sócrates, e passando por diversos clubes nacionais e internacionais, Casão - como é chamado entre amigos - já  foi convocado por Telê Santana para integrar a Seleção Brasileira para a Copa de 1986, no México. Mesmo na reserva de Careca e Müller, o jogador estava de cabeça erguida e ostentando orgulhosamente a camisa do país no peito. 

Após encerrar sua carreira em 1996, Casagrande tornou-se comentarista, passando pela ESPN e depois se firmando como um dos principais comentaristas da TV Globo. Além de comentar jogos, também lançou dois livros "Casagrande e Seus Demônios", em 2013 e "Sócrates e Casagrande - Uma História de Amor", em 2016. 

Após grandes desafios com sua saúde, Casagrande está desde 2016 apresentando o programa de rádio Rock Bola, da rádio 89 FM A Rádio Rock, que mistura música, futebol e humor, como sabe bem fazer. Não é de hoje que Casagrande ocupa um espaço nos meios de comunicação que vai muito além do futebol - o que provavelmente teve início lá em 82, quando fez parte da Democracia Corintiana, movimento que dizia respeito tanto ao esporte quanto à política. 

Hoje, responsável por uma coluna no UOL e outra na Folha de SP, há apenas alguns dias da abertura da Copa do Mundo do Qatar, Casagrande participa de um bate-papo exclusivo com a L'Officiel Hommes Brasil. Confira!

Fotos: Bob Wolfenson

Qual a importância da copa do mundo nesse momento político e social que o Brasil está passando? Você acredita que a alegria do futebol - esporte tão querido pelo povo brasileiro - pode unir novamente o país? 

A princípio, o trabalho mais difícil dessa seleção será o de recuperar a simpatia do povo brasileiro.  É quase impossível desassociar a camisa amarela das manifestações golpistas.  Para conseguir mudar essa situação, o Brasil terá que jogar muito desde o início da copa. 

Quais são as suas expectativas para a seleção brasileira? 

Por enquanto, não estou empolgado, porque não tenho parâmetro técnico e nem de competitividade, uma vez que não temos jogado contra nenhuma seleção europeia de médio ou grande porte, nesses quatro anos. 

Gostou da convocação? Faria  alguma alteração? 

Gostei da convocação, mas achei um absurdo a convocação do Daniel Alves e uma injustiça a não convocação do Gabriel (Flamengo). 


Como seria a “seleção dos sonhos” na sua escalação? Com nomes históricos. Pelé, Garrincha, Zico…

Olha! Eu faço uma seleção dos sonhos de 1970 para cá, porque só faço com jogadores que vi jogar:

1-Leão

2-Leandro

3-Luis Pereira

4-Carlos Alberto Torres

6- Júnior

5-Falcão

8-Sócrates

7-Zico

9-Ronaldo

10-Pelé

11-Rivellino

Você já fez publicamente algumas críticas ao Neymar, especialmente sobre sua participação na copa do mundo anterior. Nos últimos tempos, o atleta esteve no centro de polêmicas por conta da sua posição política e questões tributárias. Qual sua relação com o jogador? O que podemos esperar dele na copa? E qual seria sua dica para um dos principais jogadores da seleção? 

A imagem, que tenho do Neymar, em copas do mundo, é aquela da copa de 2018 que virou meme no mundo todo. Foi patético! Ficou conhecido pelo “cai-cai”. Apesar de ser um grande jogador, acho que não tem foco. Tenho dúvidas, se vai para a copa do mundo para ser um jogador brasileiro ou uma celebridade brasileira no Qatar. 

Na sua opinião, quem é o jogador que será um grande destaque positivo e quem pode ser uma “decepção”? 

Existem vários candidatos para destaque da  copa. Entre todos, coloco: Benzema, Mbappé, De Bruyne, Vinícius Jr, Messi… Uma decepção é muito difícil dizer, porque não penso nunca se um jogador irá decepcionar, uma vez que penso sempre positivamente para todos, porque fui jogador e não fui bem na copa. Sei como é essa frustração. 

De forma geral, quais as principais vantagens e desvantagens do time brasileiro diante dos grandes times?  

As vantagens são a criatividade e os dribles do jogador brasileiro. A desvantagem está na dificuldade de ficar focado o jogo todo. Esse é o grande problema.

Como jogador você construiu uma carreira de sucessos e muito importante para a história do esporte. Atualmente, com toda sua vivência, experiência e conexão direta com o futebol e os jogadores atuais, quais as maiores diferenças do esporte de hoje para a sua época de jogador? 

Fazer comparações de épocas diferentes é muito difícil. Tínhamos muita identificação com a camisa da seleção e também com o torcedor brasileiro. Porém, tinha uma diferença: jogávamos aqui no Brasil e os de hoje não. Entretanto, isso não justifica a falta de interesse com as dificuldades que o povo tem. 

Fotos: Bob Wolfenson

Qual sua visão dos jogadores que viraram celebridades e influenciadores digitais? 

Acho que eles se perdem um pouco no meio disso tudo. Sentir-se celebridades e influenciadores digitais, colaboram para a falta de foco e comprometimento. 

Você participou da Copa do Mundo de 1986. Ainda se recorda do frio da barriga? Dos desejos? Conta um pouco como foi esse momento? 

Joguei em 1986. Essa será a sétima copa como jornalista esportivo. Tenho um frio na barriga até hoje. 

Qual foi o momento mais marcante na sua vida de jogador? E de comentarista esportivo? 

Como jogador, foram as minhas temporadas no Torino. Fomos terceiro no campeonato; vice da Copa UEFA e campeões da Copa Itália. Fiz diversos gols importantes e decisivos. Como comentarista, foi a final da Copa do Mundo de 2002, por ter sido muito emocionante para todos. Já o título mundial do Corinthians em 2012, também no Japão, me deixou mais emocionado como torcedor corintiano. 

Como é seu preparo para a copa do mundo? E mesmo após tantos anos ainda tem aquela adrenalina e ansiedade?

A minha preparação é normal. Tenho meu foco nas seleções, nos nomes, etc… Acho que será diferente, porque será a primeira sem ser pela Globo.

Tags

Posts recomendados