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Onça-pintada macho é reintroduzida na Amazônia pela primeira vez

Com o apoio da Proteção Animal Mundial, a soltura da onça-pintada macho foi realizada em área preservada de mais de dois milhões de hectares. Descubra todos os detalhes!

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Xamã, a primeira onça-pintada macho a ser reintroduzida na Amazônia [Crédito: Onçafari]

O Onçafari, organização não governamental que atua na conservação da biodiversidade brasileira através da proteção de áreas naturais, realizou a primeira reintrodução de uma onça-pintada macho na Amazônia. Xamã, que chegou aos cuidados do Onçafari com aproximadamente oito meses de idade, foi devolvido ao seu habitat natural na região amazônica, após dois anos de cuidados e adaptação. Em agosto de 2022, ele foi resgatado em área de desmatamento, com foco de incêndio, em Sinop, no Mato Grosso, e passou inicialmente por um período de recuperação no Setor de Animais Silvestres da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

 

A soltura de Xamã aconteceu em uma área extremamente preservada com cerca de dois milhões de hectares nas imediações da Serra do Cachimbo, no sul do Pará. Com parte do apoio financeiro e técnico sobre bem-estar animal da organização não governamental Proteção Animal Mundial, Xamã foi mantido no recinto de reintrodução do Onçafari na Amazônia, próximo ao local de sua soltura, até completar a idade adulta de dois anos. Esse local é cuidadosamente preparado para simular as condições da vida livre na floresta e tem cerca de 15 mil m2.

 

Quando chegou para o processo de reintrodução, Xamã pesava cerca de 20 quilos. Agora, está com 56 quilos e pronto para voltar à vida livre no bioma. Após a colocação do colar de monitoramento, o processo de soltura, feito através do método de "soft release", foi gradual para garantir que o animal tenha tempo de se readaptar ao ambiente com segurança. Após a abertura da grade de segurança, Xamã saiu do recinto depois de 12 horas.

 

No período em que esteve sob os cuidados do Onçafari, Xamã foi gradualmente introduzido a presas vivas para desenvolver suas habilidades de caça e reforçar sua capacidade de sobrevivência. Leonardo Sartorello, biólogo e coordenador de reintroduções do Onçafari, destaca a importância desse acompanhamento, principalmente por se tratar do primeiro macho a ser solto no bioma. "Soltar um macho é sempre um desafio maior, porque, diferentemente das fêmeas, eles correm mais e disputam território com outros machos. Por isso precisamos avaliar sua capacidade e rapidez de caça para realizar a reintrodução”, comenta Leonardo.

 

Para Júlia Trevisan, bióloga e coordenadora de vida silvestre da Proteção Animal Mundial, a reintegração do Xamã é uma vitória do meio-ambiente. “Cada vez que um animal silvestre morre, parte da floresta morre também. Isso porque cada espécie cumpre funções específicas na manutenção do ambiente, seja por meio da dispersão de sementes, polinização ou controle de presas. Outro motivo para celebrar é que a beleza da fauna silvestre reside em ser livre. Se o Xamã não tivesse condições de sobreviver ao ser solto, a outra opção seria viver em cativeiro, o que seria muito triste. A sensação é de dever cumprido”, comemora. 

 

Após a soltura do Xamã, o Onçafari seguirá monitorando seus passos para acompanhar seu desenvolvimento em vida livre. Isso também dará à ciência brasileira a oportunidade de entender como a onça-pintada macho se comporta em uma área tão vasta e densa como a Amazônia.

 

O acontecimento marca o terceiro grande felino a ser reintroduzido pelo Onçafari em reserva na Amazônia. Em 2019, duas fêmeas de onça-pintada, Pandora e Vivara, foram reintroduzidas no local. Este evento fortalece os esforços contínuos de preservação de espécies ameaçadas e o estudo dos grandes predadores na Amazônia.

 

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