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Robert Scheidt em uma entrevista exclusiva para a L’Officiel Hommes

Lenda dos mares! Da primeira velejada na represa de Guarapiranga, em São Paulo, para os lugares mais altos do pódio, Robert Scheidt coleciona medalhas, memórias e muitas histórias - de superação e amor ao esporte.

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Foto: Divulgação

Busque em qualquer site de pesquisas a frase “Quem é o maior velejador do Brasil?”, para visualizar mais de 65 mil resultados num único nome: Robert Scheidt. Durante a entrevista exclusiva para a L’Officiel Hommes, diretamente de sua casa, na Itália, Scheidt foi perguntado se, por curiosidade, já havia feito tal investigação. O paulistano – de ascendência alemã e sueca –, sorriu meio envergonhado, e respondeu que não, destacando que Torben Grael, seu contemporâneo no iatismo, “é um cara fantástico, um velejador excepcional e é muito difícil comparar apenas porque um ganhou uma prata ou um ouro a mais”.

Aos 51 anos, o medalhista número um da história olímpica do País – que disputou a sua primeira Olimpíada em Atlanta, em 1996, e acumulou cinco pódios até Tóquio, em 2020 –, não vai disputar os jogos deste ano. Mas isso não significa que ele tirou o barco d’água. Sua atenção agora está voltada para as embarcações maiores, como as utilizadas na classe Swan, além de outros projetos.

Um deles é o lançamento, ainda este ano, da sua biografia, que reunirá narrativas de duas décadas de carreira, na qual acumulou mais de 180 títulos. Entre tantas passagens interessantes, há uma que mostra a influência do tricampeão mundial na categoria Finn, Jöerg Bruder, na introdução do iatismo na vida da família Scheidt. Foi com o atleta – que morreu a caminho de defender o tetracampeonato, na tragédia com o avião da Varig, em 1973, na França –, que Fritz Scheidt, pai de Robert, se encantou com a vela. “A família do Bruder já velejava e o meu pai se juntou a eles na represa de Guarapiranga. Mais adiante, passou a frequentar o Yacht Club Santo Amaro e tomou gosto pelo esporte”, conta.

Scheidt ainda se recorda das velejadas iniciais, aos cinco anos, quando o pai servia de instrutor. Algum tempo depois, ele aprendeu sobre as regatas. “Meu pai acompanhou cada passo da minha carreira. A sabedoria dele me proporcionou as condições necessárias para que eu desenvolvesse talento, e tudo isso sem ele nunca me cobrar. Se a pressão é grande, a criança pode desistir”, reflete.

Esse mesmo cuidado ele transfere para os filhos. Enquanto Lucas, de 10 anos, prefere vôlei e futebol, Erik, de 14 anos, recentemente, foi o parceiro escolhido na disputa pelo Campeonato Brasileiro na classe Snipe, na qual terminaram em quarto lugar. Do pai, o jovem agrega o traço acelerado e determinado. Da mãe, a velejadora lituana Gintarè, prata olímpica, campeã mundial e pianista nos momentos de lazer, o menino herdou a serenidade e o gosto pela música. “O Erik tem muito a aprender e a evoluir, mas não precisa ser um velejador profissional. Nada no esporte vem de graça ou rápido, é preciso seguir um planejamento para alcançar as metas. E é isso o que eu e a mãe dele o ensinamos.”

Pé no chão, Scheidt, que mora com a família em Ilhabela, no litoral paulista, conta que é adepto de roupas confortáveis e cultiva hábitos simples (e saudáveis). Além de lavar a louça, é ele quem faz as compras do mês no supermercado e leva os filhos para a escola. Fã de comida japonesa e dos pratos preparados pela esposa, como a massa de panqueca à base de batatas, confessa que sente falta da dupla feijão com arroz quando está fora do Brasil, além das frutas locais.

Amigo do tenista Fernando Meligeni, a quem considera, assim como ele, “raçudo”, Robert jogou até os 16 anos, participando de campeonatos interclubes defendendo as cores do tradicional Pinheiros. Nas quadras, Scheidt também é fã de Gustavo Kuerten e admira a nova geração de brasileiros despontando na modalidade.

Foto: Divulgação

Embaixador de marcas

Logo após ganhar o seu primeiro ouro olímpico, a falta de patrocínio, por muito pouco, quase o levou a desistir. Por isso, Robert Scheidt valoriza muito a relação construída com as marcas. Atualmente, ele conta com o patrocínio da empresa de comércio exterior Sertrading, para a qual organiza velejadas corporativas. E considera um privilégio ser embaixador da Rolex. “A marca, atrelada à busca pela excelência, congrega atletas respeitados, como o [Roger] Federer. E na vela, assim como acontece na alta relojoaria, você precisa ter timing para realizar a largada perfeita.”

Amuleto furtado

Aos dez anos, Scheidt encontrou em Santa Catarina um cavalo de jogo de xadrez e guardou como amuleto da sorte por sugestão do pai. “Durante décadas, eu o carregava na minha mochila nas competições porque acreditava em sua energia positiva. Ele era um símbolo da minha jornada no esporte. Mas, em 2014, na França, fui velejar e minha mochila acabou sendo furtada. Perdi o meu cavalo. Peguei outros, mas não foi a mesma coisa”, explica. Scheidt reflete que, assim como o faz o enxadrista, o velejador tem que ser certeiro na tomada de decisões. “Porém, na água, as determinações são quase sempre mais ágeis.” Ele pode até ter ficado sem o cavalo, mas não perdeu a habilidade de seguir pelo caminho vitorioso.

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