Curitiba: o quente de uma das capitais mais frias do Brasil
Cultura, gastronomia e hospedagem cinco estrelas na cidade Curitiba, que faz frio até no verão
Qualidade de vida: check. Limpeza urbana: check. Natureza preservada: check. Boas opções culturais: check. A fama de cidade fria e cinzenta — em todos os sentidos — é um tanto injusta para Curitiba. O clima congelante no inverno (às vezes no verão também) é, sim, uma realidade que pouco incentiva a visita de quem busca experiências solares. Mas o que falta de calor sobra em excelência.
Considerado modelo de urbanismo e sustentabilidade por anos, o destino conta com alto índice de área verde: são nada menos que 64,5 metros quadrados por habitante, com concentração em pontos bem frequentados tanto por locais quanto por turistas como o Parque Barigui, a Ópera de Arame e o Jardim Botânico, cartão postal ao lado do calçadão da turística XV de Novembro, primeira rua exclusiva para pedestres do país. A cara da capital paranaense, porém, são as vias tomadas por árvores imponentes (olha o verde aqui de novo!) que se entrelaçam e equilibram a emissão de gás carbônico da área industrial.
No movimentado centro, é a Alameda Prudente de Moraes que tem recebido todos os holofotes com marcas emergentes de moda e beleza, além de restaurantes e bares procurados por uma turma bem interessante. Destaque para o Obst., novo empreendimento do premiado chef Lênin Palhano. Inaugurado em plena pandemia, o lugar que se autodefine um híbrido de restaurante e bar está instalado em uma casa térrea enxuta e aconchegante, com lugar para 55 pessoas (reserve para não perder viagem). A experiência mais imperdível é, sem dúvida, no balcão da cozinha aberta, de onde se pode observar toda a movimentação do staff bem alinhado que prepara um menu-confiança repleto de tapas e pratos criativos com os ingredientes do dia — tudo devidamente harmonizado com drinks e vinhos. Entre as criações de Lênin, o festejado porquinho na couve, que migrou do menu do Nomade, de onde o paranaense despontou e se consagrou com inúmeros prêmios por sete anos.
O restaurante fica no Nomaa, melhor opção de hospedagem da cidade. Sem concorrentes à altura, o hotel boutique é sinônimo de requinte e boa localização, no coração do Batel. Sergio Rodrigues, Pedro Useche e Jader Almeida são alguns dos nomes que assinam o mobiliário clean e moderno. Nos quartos, o enxoval em algodão 400 fios garante boas noites de sono com ou sem a companhia de animais de estimação (sim, o cinco estrelas é pet friendly!). A academia pequena, mas bem equipada, pode ser usada com horário marcado até que a pandemia dê trégua e é essencial para queimar os inevitáveis excessos do famoso brunch servido aos finais de semana (uma mini temporada no Lapinha Spa, a uma hora e meia da capital, também pode ser levada em consideração).
E já que voltamos à cena gastronômica (há programa melhor para espantar o frio?), mais algumas indicações must go: Coin por Ivan Lopes para o almoço, Raulino no jantar e as novas unidades da Prestinaria durante todo o dia — a da Mateus Leme conta com um belo orquidário, e a do Museu Oscar Niemeyer é menor, com poucas e boas opções para finalizar a imersão artsy. A exposição da vez é “OSGEMEOS: Segredos”, que reúne mais de 850 itens de Gustavo e Otávio Pandolfo entre pinturas, esculturas, cadernos, desenhos e intervenções artísticas. Fica no olho do MON até 3 de abril de 2022.
Para quem visita, um final de semana é suficiente para conhecer o melhor da capital. Incluir Morretes e Ilha do Mel na programação incrementa a viagem.