Amor patológico: carinho ou veneno?
Relacionamentos são complicados, mas existem casos que podem ser um mal silencioso. Saiba como identificar se você sofre de amor patológico
Relacionamentos são difíceis. Mas se o seu te gera angústia e sofrimento constante talvez você esteja vivendo um mal silencioso, extremamente sofrido onde você se preocupa mais com o seu parceiro e com o relacionamento do que com você mesmo. Esse mal tem nome, já possui inúmeros estudos sobre e chamamos de amor patológico.
É um termo adaptado do love addiction, que surgiu nos Estados Unidos a partir da observação de que pessoas que seguiam esse padrão de relacionamentos amorosos funcionavam de forma muito semelhante às pessoas que possuíam adições, apresentando características como excesso, prejuízo pessoal, relacional e até profissional, falta de controle e sofrimento.
Caracterizado por um comportamento excessivo e sem limites em relação aos cuidados e atenção voltados ao outro, as pessoas que sofrem com isso passam a viver para o companheiro e esse controle exagerado faz com que elas percam as atividades e interesses próprios que antes lhe davam prazer, assim como nas adições.
Aqui no Brasil, o termo ficou conhecido sobre a “mulheres que amam demais”. Mas é importante ressaltar que a questão não se refere à quantidade de amor, mas sim à qualidade do vínculo amoroso. Cuidado e atenção são atitudes esperadas dentro de uma relação e fazem bem a ambos os parceiros, mas quando existe uma atitude exagerada, excessiva, obsessiva em pensamentos ou comportamentos e sem controle é que entra o adoecimento.
Amar e o sentimento amor por si só, não seriam problemáticos, muito pelo contrário inclusive. O que diferencia uma atitude normal de uma patológica é a incapacidade de o indivíduo controlar esse excesso, o abandono dos interesses pessoais e a falta de motivação para sair de uma relação mesmo diante de evidências concretas de que isto está sendo prejudicial para si. E apesar de mais comum na população feminina, existe um número cada vez maior de homens vivenciando o sofrimento dessas relações tóxicas.
As pessoas mais propensas a desenvolver os sintomas do amor patológico, normalmente, têm algumas características em comum, como pavor de serem abandonadas, sensações de desamparo, medo da solidão, baixa tolerância a ficarem sozinhas. Questões essas que são estruturadas desde a infância. Muitas vezes veem também na relação um preenchimento dos próprios vazios, administração da melancolia ou uma “tábua de salvação” das frustrações em outras áreas da vida. O que acaba sendo um “prato cheio” para se estabelecer uma dependência. Além disso, a maioria apresenta baixa autoestima. Ter sofrido algum abuso na infância (psicológico, físico ou sexual), ter vivenciado traumas nos primeiros relacionamentos amorosos ou o relacionamento amoroso dos pais entre si ou com outras pessoas ter sido disfuncional também são correlações comuns.
Separei abaixo seis sintomas comuns que podem indicar o quadro. Confira:
1 - Quando o parceiro está distante (fisicamente ou emocionalmente) ou diante da ameaça de abandono, ou da própria tentativa de interromper a relação podem surgir sintomas físicos como insônia, taquicardia e tensão muscular e emocionais como tristeza, irritabilidade, angústia, alternando períodos de desânimo e excitação; uma espécie de abstinência que torna inclusive a própria tentativa de interromper muito difícil.
2 - A maior parte da energia e do tempo do indivíduo são gastos com atitudes e pensamentos sobre o outro;
3 – Abandono de interesses e atividades antes valorizadas. O indivíduo passa a viver em função dos interesses do parceiro, as atividades propiciadoras da realização pessoal e profissional são deixadas de lado, como o cuidado com os filhos, atividades profissionais, convívio com colegas, entre outras;
4 – O amor patológico é mantido, apesar dos problemas pessoais e familiares, mesmo consciente dos danos advindos desse comportamento, persistindo a queixa de não conseguir controlar tal conduta.
O mais importante é saber que existe tratamento. Ferramentas que aumentem a sua autoestima, psicoterapia e medicação podem ajudar no processo. O caminho de administrar as emoções, frustrações e “faltas” não é fácil, mas é possível e libertador. Um percurso em que se relacionar na base do sofrimento não seja o remédio. Porque não é. Dessa forma é veneno.