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Amor patológico: carinho ou veneno?

Relacionamentos são complicados, mas existem casos que podem ser um mal silencioso. Saiba como identificar se você sofre de amor patológico

Amor patológico
Amor patológico

Relacionamentos são difíceis. Mas se o seu te gera angústia e sofrimento constante talvez você esteja vivendo um mal silencioso, extremamente sofrido onde você se preocupa mais com o seu parceiro e com o relacionamento do que com você mesmo. Esse mal tem nome, já possui inúmeros estudos sobre e chamamos de amor patológico.

É um termo adaptado do love addiction, que surgiu nos Estados Unidos a partir da observação de que pessoas que seguiam esse padrão de relacionamentos amorosos funcionavam de forma muito semelhante às pessoas que possuíam adições, apresentando características como excesso, prejuízo pessoal, relacional e até profissional, falta de controle e sofrimento.

Caracterizado por um comportamento excessivo e sem limites em relação aos cuidados e atenção voltados ao outro, as pessoas que sofrem com isso passam a viver para o companheiro e esse controle exagerado faz com que elas percam as atividades e interesses próprios que antes lhe davam prazer, assim como nas adições.

Aqui no Brasil, o termo ficou conhecido sobre a “mulheres que amam demais”. Mas é importante ressaltar que a questão não se refere à quantidade de amor, mas sim à qualidade do vínculo amoroso. Cuidado e atenção são atitudes esperadas dentro de uma relação e fazem bem a ambos os parceiros, mas quando existe uma atitude exagerada, excessiva, obsessiva em pensamentos ou comportamentos e sem controle é que entra o adoecimento.

Amor patológico
Foto: Pexels

Amar e o sentimento amor por si só, não seriam problemáticos, muito pelo contrário inclusive. O que diferencia uma atitude normal de uma patológica é a incapacidade de o indivíduo controlar esse excesso, o abandono dos interesses pessoais e a falta de motivação para sair de uma relação mesmo diante de evidências concretas de que isto está sendo prejudicial para si. E apesar de mais comum na população feminina, existe um número cada vez maior de homens vivenciando o sofrimento dessas relações tóxicas.

As pessoas mais propensas a desenvolver os sintomas do amor patológico, normalmente, têm algumas características em comum, como pavor de serem abandonadas, sensações de desamparo, medo da solidão, baixa tolerância a ficarem sozinhas. Questões essas que são estruturadas desde a infância.  Muitas vezes veem também na relação um preenchimento dos próprios vazios, administração da melancolia ou uma “tábua de salvação” das frustrações em outras áreas da vida. O que acaba sendo um “prato cheio” para se estabelecer uma dependência. Além disso, a maioria apresenta baixa autoestima. Ter sofrido algum abuso na infância (psicológico, físico ou sexual), ter vivenciado traumas nos primeiros relacionamentos amorosos ou o relacionamento amoroso dos pais entre si ou com outras pessoas ter sido disfuncional também são correlações comuns.

Separei abaixo seis sintomas comuns que podem indicar o quadro. Confira:

Amor patológico
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1 - Quando o parceiro está distante (fisicamente ou emocionalmente) ou diante da ameaça de abandono, ou da própria tentativa de interromper a relação podem surgir sintomas físicos como insônia, taquicardia e tensão muscular e emocionais como tristeza, irritabilidade, angústia, alternando períodos de desânimo e excitação; uma espécie de abstinência que torna inclusive a própria tentativa de interromper muito difícil.

2 -  A maior parte da energia e do tempo do indivíduo são gastos com atitudes e pensamentos sobre o outro;
 

Amor patológico
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3 – Abandono de interesses e atividades antes valorizadas. O indivíduo passa a viver em função dos interesses do parceiro, as atividades propiciadoras da realização pessoal e profissional são deixadas de lado, como o cuidado com os filhos, atividades profissionais, convívio com colegas, entre outras;

4 – O amor patológico é mantido, apesar dos problemas pessoais e familiares, mesmo consciente dos danos advindos desse comportamento, persistindo a queixa de não conseguir controlar tal conduta.

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O mais importante é saber que existe tratamento. Ferramentas que aumentem a sua autoestima, psicoterapia e medicação podem ajudar no processo. O caminho de administrar as emoções, frustrações e “faltas” não é fácil, mas é possível e libertador. Um percurso em que se relacionar na base do sofrimento não seja o remédio. Porque não é. Dessa forma é veneno.

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