Chocolate e café: genética determina o gosto pelos alimentos
Uma pesquisa da Universidade Northwestern descobriu que o gosto por café preto e pelo chocolate amargo são motivados por uma genética privilegiada
“Isso poderia explicar por que alguns indivíduos ficam bem consumindo muito café em relação a outras pessoas que podem ficar nervosas ou muito ansiosas” - afirmou a pesquisadora.
Em seu novo estudo publicado pela Nature Scientific Reports, Cornelis distinguiu os fãs de café em grupos, isolando os que que apreciam o café preto daqueles que adicionam creme e açúcar.
“Descobrimos que os bebedores de café com a variante genética que reflete um metabolismo mais rápido da cafeína preferem o café amargo e preto”, revelou Cornelis. “Nós também encontramos a mesma variante genética em pessoas que preferem chá puro ao chocolate amargo e adoçado em vez do chocolate ao leite.”
“Nossa interpretação é que essas pessoas equiparam o amargor natural da cafeína a um efeito de psicoestimulação”, explicou Cornelis. “Eles aprendem a associar a amargura à cafeína e ao impulso que sentem. Estamos vendo um efeito aprendido.”
Isso também vale para a preferência do chocolate amargo em comparação com o ao leite, visto que essas pessoas, quando pensam em cafeína a relacionam a um sabor amargo. “É possível que essas pessoas sejam muito sensíveis aos efeitos da cafeína e também tenham esse comportamento aprendido com outros alimentos amargos” - disse Cornelis.
Embora o chocolate amargo tenha pouca cafeína, é composto por teobromina, um reconhecido estimulante do sistema nervoso relacionado à cafeína. Quando se trata de teobromina, entretanto, é bom que o consumo seja moderado — estudos descobriram que doses mais altas podem aumentar a frequência cardíaca e promover o mau humor.
Por isso, indica-se uma pequena porção de chocolate amargo por dia para promover a saúde do coração e diminuir o risco de diabetes. Isso, porque o cacau é rico em flavonóides — compostos antioxidantes que melhoram o fluxo sanguíneo.
Cornelis dará continuidade aos estudos sobre a preferência genética por alimentos amargos, tendo em vista que eles costumam ser mais benéficos à saúde. “Isso pode mostrar que indivíduos geneticamente predispostos a consumir mais café também estão envolvidos em outros comportamentos potencialmente saudáveis”, ponderou a pesquisadora.