Cultura

"Becoming Elizabeth": Tom Cullen fala sobre seu papel na série

Em entrevista exclusiva para a L’Officiel, o ator Tom Cullen conta um pouco do que rolou por trás das câmeras em "Becoming Elizabeth" e também como se preparou para interpretar o personagem que foi centro de um dos maiores escândalos na vida da jovem princesa antes de se tornar a rainha da Inglaterra

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Tom Cullen ganhou a atenção do público brasileiro ao interpretar Anthony Foyle, o Visconte Gillingham, um dos vários pretendentes de Lady Mary em Downton Abbey em 2013. Desde então o ator galês participou de diversos projetos de entretenimento em frente e por trás das câmeras, e neste ano se destaca na série Becoming Elizabeth, da Starzplay interpretando o controverso Thomas Seymour, irmão de Jane Seymour, a terceira das seis esposas de Henry VIII e esposo de Catherine Parr, a última esposa do rei. 

Em entrevista exclusiva para a L’Officiel, Tom conta um pouco do que rolou por trás das câmeras e também como se preparou para interpretar o personagem que foi centro de um dos maiores escândalos na vida da jovem princesa antes de se tornar a rainha da Inglaterra. Acompanhe a nossa entrevista:

Thomas Seymour estava no meio de tudo, mas essa é a primeira vez que vemos ele na cultura popular, como um personagem grande de fato. Como foi para você fazer sua própria abordagem frente a este personagem histórico?

Essa é uma pergunta ótima. Eu li um pouco… bem, na verdade, eu li muito. Mergulhei em todos esses livros de história para ter um senso de quem ele era. Mas de verdade, o material de base que eu usei foram os roteiros. A Anya é uma autora brilhante. E eu me dei conta de que é uma estória sobre história, mas que também é uma estória importante sobre um homem poderoso tendo uma relação com uma mulher jovem e vulnerável. E me dava uma sensação de que era algo bastante contemporâneo, interessante e algo muito importante para contar. Então o meu foco foi em me certificar que a estória estava bem contada e, claro, entendendo e respeitando a história. Mas  me certificar que os temas do show que a Anya tinha idealizado estavam sendo entregues era o que era o mais importante.

Outro ponto que é interessante do seu personagem, é que mesmo historicamente falando, é difícil compreender se Thomas Seymour era um amigo ou vilão para Elizabeth e o irmão mais novo e rei Edward, porque apesar do constante apoio aos dois, ele tinha suas ambições de poder. Como você trouxe isso para o personagem?

Eu realmente tive que confiar nos roteiros da Anya, porque tudo era muito sutil. Ninguém é um herói nesta série e ninguém é um vilão. É muito turvo e, acho que, é isso que o torna real. Eu gostei no Thomas, por exemplo, que ele é carismático, engraçado e cativante, mas ele também é muito complexo. E eu acho que o que os roteiros fazem é questionar muito. Eu acho que quando deixamos perguntas, ao invés de respostas em um drama, fica muito mais interessante pois leva dúvidas ao público. Eu, pessoalmente, tentei não pensar muito sobre isso. O que eu queria era apenas me concentrar no personagem. Então para mim, durante os seis meses de gravação, Thomas era o herói da série. Ele era o melhor, um cara tão legal e tudo que ele fazia era certo. A única forma que eu poderia interpretá-lo era transformar ele em herói dentro da minha cabeça. E é interessante agora assistir aos episódios. Eu fico pensando “Ok, talvez ele não era tão maravilhoso assim”. (brinca)

É interessante que você falou isso, pois uma das coisas que se aprende em aulas de atuação é exatamente que quase se vai interpretar alguém, deve-se encontrar formas de justificar as suas ações. Porque para aquela pessoa, ela faz aquilo para o bem. 

Totalmente. Eu estava falando com a Alicia (Von Rittberg, Elizabeth), depois que assisti aos episódios e ela ria e dizia “no set de filmagens você estava convencido que o Thomas tinha sido mal interpretado. E queria discutir isso o tempo todo durante as filmagens”. Então eu disse “Nossa, mas ele era um cara muito complexo, não”, ela “Sim, mas você conseguiu se convencer de que ele não era”. E é verdade, eu acho que era a única forma que eu poderia interpretá-lo. Eu não queria fazer uma pessoa ruim, porque como você mesma disse, ninguém acorda de manhã e pensa “sou um vilão”. Todo mundo acha que eles estão fazendo a coisa certa, eu acho. Provavelmente… bom, assim espero. 

Como é para você trabalhar nesses projetos históricos, como Becoming Elizabeth e também Downton Abbey? Entre os cenários e figurinos, deve ser quase como viajar no tempo.  

Sim, e acho que é por isso que me atrai tanto trabalhar em peças históricas. Eu acho muito divertido viver como aquelas pessoas, me vestir à risca ou montar um cavalo. E por alguns momentos onde você não vê a equipe de filmagem, realmente dá para fingir que você voltou no tempo. Acho que é uma fantasia que todos nós temos, de entrar em uma máquina e poder visitar alguns momentos da história. Em um nível pessoal, isso é muito divertido. Mas eu também amo as estórias. Eu acho que  em Becoming Elizabeth, as vidas de cada um dos personagens está na ponta de uma lâmina. Todos podem viver ou morrer a qualquer momento e há um drama inerente que acontece dentro dessa ideia que realmente não acontece hoje em dia. A minha vida não está em risco dessa forma. E eu acho que em termos de atuação, de contador de histórias, é um trabalho muito emocionante para contar. Na série, eu posso dizer, ninguém está a salvo. Você ficará surpresa com o que acontece mais além… fica bem interessante. 

E para fechar, o que mais lhe marcou, ou foi mais desafiador, ao gravar essa série?

Vai ser uma resposta muito sem graça, mas de verdade, eu amei trabalhar na série. A coisa mais desafiadora para mim foi que minha esposa estava grávida na época e eu tive que estar longe em um período que é muito complicado. Foi bastante estranho estar neste mundo, interpretando um personagem tão complexo durante a semana e nos finais de semana sendo um bom parceiro para ela. Isso foi o mais difícil para mim. E também tinha a questão da pandemia, foi uma época estranha para se trabalhar. Mas em termos de gravações, foi muito legal. Eu realmente amei. E trabalhar próximo a Alicia e a Jess (Jessica Raine) foi muito divertido. A gente se deu realmente muito bem e isso é uma grande sorte, para ser honesto. Tenho muito orgulho deste projeto.

Os episódios de Becoming Elizabeth vão ao ar todo domingo na Starzplay

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