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Alexandre Nero retorna em "novo tom" para carreira musical

Em pausa de sua carreira nas telinhas, Alexandre Nero, lança primeiro álbum depois de uma década longe dos palcos, com participação de Elza Soares, Milton Nascimento e Aldir Blanc

Alexandre Nero
Foto: Fabrizio Carneiro/Divulgação

Ele é complexo, contraditório. Paradoxalmente, alegre e triste, amargo e doce. Longe dos holofotes, é assim que o ator e músico Alexandre Nero se define. Dono de uma carreira consolidada, o profissional soma dez novelas, sete séries, treze filmes, nove peças de teatro e cinco CDs gravados. Aos 52 anos, e após ficar uma década sem cantar, Nero lançou o álbum “Quarto, Suítes, Alguns Cômodos e Outros Nem Tanto”, em 2022, e considera o seu melhor trabalho musical. “Foi um processo demorado, pois não tinha a pretensão de gravar mais um disco. Comecei compondo em casa, para mim, tudo muito pessoal, e as coisas foram acontecendo. Havia um tempo que eu não compunha e senti vontade de registrar, de compartilhar com as pessoas, mas aí a pandemia apareceu, adiando todos os planos. Foi o projeto mais longo que já fiz na vida e confesso que foi dolorido, por conta do cenário. Mas o resultado valeu a pena, ficou bonito, potente”, relata.

Registrado durante o período de isolamento social, no estúdio caseiro de Alexandre Nero e de seu produtor e parceiro, Antônio Saraiva, o disco traz uma sutileza sublime que vai para além do clima original que motivou a feitura do disco. Como ele mesmo escreve em uma de suas canções, “só quem tocou a tristeza um dia pode reconhecer a beleza e a alegria”. Entre as faixas, há participações especiais de Elza Soares, Milton Nascimento e Aldir Blanc. “Acompanho o trabalho dos três desde pequeno. A partir do momento em que me instalei no Rio de Janeiro, pude ficar mais próximo deles. Depois de tanto tempo de encontros, já no processo de gravação do álbum, perguntei se poderiam participar do projeto e tive a sorte de eles toparem. Ter esses nomes no meu álbum é algo inimaginável para aquele garoto que os tinha como ídolos, e mais do que uma honra para esse artista que hoje fala com vocês”, enfatiza.

Alexandre Nero

“ LANÇAR o ÁLBUM ‘QUARTO, SUÍTES, ALGUNS CÔMODOS e OUTROS Nem TANTO’, foi UM PROCESSO DEMORADO, pois NÃO TINHA a PRETENSÃO de GRAVAR MAIS um DISCO. COMECEI COMPONDO em CASA, para MIM, tudo MUITO  PESSOAL , E as COISAS FORAM ACONTECENDO. HAVIA um TEMPO que EU NÃO COMPUNHA e SENTI VONTADE de REGISTRAR, de COMPARTILHAR COM as PESSOAS, MAS aí a PANDEMIA APARECEU, ADIANDO TODOS os PLANOS. FOI o PROJETO MAIS LONGO QUE já FIZ NA VIDA e CONFESSO QUE FOI DOLORIDO, por CONTA do CENÁRIO. MAS o RESULTADO VALEU a PENA, FICOU BONITO, POTENTE”

O álbum apresenta canções de MPB, com influências que vão de Stravinsky a Tião Carreiro e Pardinho, de John Cage ao Clube da Esquina. Além disso, ele contém pegada contemplativa, que busca o lugar perfeito para o respiro (ou suspiro). “Hoje em dia tudo é acelerado, as pessoas não param. A proposta era fazer algo capaz de desacelerar e que permitisse contemplar o tempo. Acredito que essa intensidade veio da convivência com os meus filhos, nos primeiros anos de vida deles. A atmosfera das canções de ninar, a maneira de cantarolar e de compor”, afirma. Por sinal, a paternidade é uma das maiores realizações da sua vida. “É, sem dúvida, a minha grande laboração no plano pessoal. Depois disso, a minha vida profissional passou a estar totalmente conectada a tudo o que penso: o personagem que faço, a música que componho, tudo se conecta, não há como desvincular esses universos.”

Em seus ofícios, Nero destaca que os projetos de teatro e de música foram fundamentais em sua trajetória, uma vez que as pessoas podem ouvir e ver o que ele pensa, quem é ou quem está buscando ser. Mas é evidente que ele reconhece que os papéis na tevê são os que mais projetaram o seu nome nacionalmente. “Em especial, o Vanderlei, da novela em que estreei, ‘A Favorita’, e o comendador José Alfredo de ‘Império’, o meu primeiro protagonista, que rendeu sucesso avassalador, assim como Romero Rômulo de ‘A Regra do Jogo’, personagem riquíssimo, que me levou à conquista do prêmio da APCA e à indicação ao EMMY Internacional. As séries ‘Filhos da Pátria’ e ‘Onde Nascem os Fortes’ também foram obras incríveis. Todos os que já fiz e os que ainda farei, têm e terão algo de mim. Na verdade, a minha preferência sempre está relacionada ao projeto do momento.”

Sobre o futuro – e as ações que estão sendo imaginadas –, ele avisa que as estratégias são diferentes. “Tudo o que precisa de planejamento depende mais de mim. Tenho várias ideias para o cinema, minisséries e até penso em um monólogo para o teatro. Já sobre o quesito sonho tem mais a ver com o imponderável, coisas que desejo que aconteçam, mas que não dependem apenas de mim. O maior anseio da minha vida é ver os meus filhos crescerem”, finaliza.

Alexandre Nero
Alexandre Nero
Alexandre Nero

“HOJE em DIA TUDO é ACELERADO, as PESSOAS não PARAM. A PROPOSTA era FAZER ALGO CAPAZ de DESACELERAR e QUE PERMITISSE CONTEMPLAR o TEMPO. ACREDITO que ESSA INTENSIDADE VEIO da CONVIVÊNCIA COM os MEUS FILHOS, nos PRIMEIROS ANOS de VIDA DELES. A ATMOSFERA das CANÇÕES de NINAR, a MANEIRA de CANTAROLAR e de COMPOR”

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