Chef Giovanni Renê resgata suas raízes italianas e completa menu
O chef Giovanni Renê resgata suas raízes italianas e completa o menu do La Coppa New Trattoria com toques tailandeses
O Allianz Parque, casa do Palmeiras originalmente chamado de Palestra Itália, é o palco de grandes espetáculos, seja com a bola rolando, seja com show de toda a sorte de gêneros musicais. Mas é no La Coppa, fundado há pouco menos de um ano, que o chef Giovanni Renê entra em campo – ou melhor, na cozinha – para dar o seu espetáculo. Na escalação do time, a grande estrela são as massas, o que é muito natural em um restaurante que funciona dentro de um estádio com raízes tão italianas.
Futebol à parte, a afeição do chef pela Itália é muito menos “clubística” e muito mais familiar. “Meus ancestrais eram de origem italiana e uma das minhas avós, Luísa Meneghetti, faz uma massa fresca maravilhosa. Sempre me recordo dos almoços em família, da mesa farta e dos sabores incríveis”, diz. Foi de menino que Giovanni tomou gosto pelas massas e, no La Coppa, ele faz questão de ter o produto artesanal, feito com autêntica farinha italiana. “Produzimos massa todos os dias e começamos cedo, a partir das 8h.” Aqui, é importante lembrar que a casa abre de terça a domingo, para almoço e jantar para o público em geral e, vez ou outra, para eventos especiais, como jogos ou eventos. Na linha de produção, tem pizzas, pão de fermentação natural e requeijão também feitos no restaurante.
O esmero das matérias-primas que dão vida ao menu tem muito das procedências do chef. Mas, na parte conceitual, Giovanni sai das receitas clássicas e explora outro repertório, que começou a construir nas primeiras incursões na cozinha, na Tailândia. Não é à toa que a casa se chama La Coppa Neo Trattoria. “Fui para lá com 19 anos, para lutar. Mas, me machuquei e acabei começando a explorar a cozinha da academia. E nunca mais parei.” Ali, o mundo das lutas e da publicidade, perdeu um adepto. “Voltei ao Brasil, tranquei o curso da faculdade e saí por aí cozinhando. Passei pela Casa do Porco (o premiado restaurante da dupla Janaína e Jefferson Rueda), fui para a Irlanda e até em açougue trabalhei, sempre em busca da ampliação do repertório. Mas, voltei às origens.”
GOL DE PLACA
Será que as tradicionais massas italianas combinam com o tempero thai, demarcado por muitas especiarias? O chef garante que sim. “Minha avó fazia um gnocchi incrível com frutos do mar, que combinam imensamente com curry”, ilustra. Outro exemplo fora da caixa é o strozzapreti, taleggio & mango, com queijo Taleggio, chutney de manga e temperos. Aliás, o taleggio aparece em outro preparo com toque thai: a pizza de massa napolitana que também leva chimichurri de As gengibre. E a criatividade não fica apenas nos pratos principais de massas. Como entrada, é possível pedir a italianíssima stracciatella servida com atum e sorvete de espumante com óleo de dill (endro). “A ideia é trazer um pouco de frescor à cozinha clássica italiana, mesmo porque estamos na Pompeia, um bairro de fartas opções na linha mais tradicional”, explica. No entanto, para quem prefere se manter em uma linha convencional, a carta oferece clássicos italianos como a lasagna alla e o risoto de funghi.
A criatividade do chef, aliás, não fica apenas no menu usual do La Coppa. Como o restaurante fica dentro de uma arena esportiva, Giovanni também precisa pensar em cardápios específicos para cada experiência atrelada à vertente camarote do restô. “Quando vendemos a experiência gastronômica junto ao ingresso para um show, precisamos preparar os pratos de olho no público-alvo.” Por isso, o que é apresentado no serviço volante de um show do Andrea Bocelli, não vai ser o mesmo servido em um show do Só pra Contrariar. “No primeiro caso, pensamos em um jantar, no segundo, em petiscos. Ficamos sabendo da programação com antecedência a fim de ter tempo para pensar no menu de modo extremamente personalizado”, pontua.
“GIOVANNI SAI das RECEITAS CLÁSSICAS e EXPLORA OUTRO REPERTÓRIO, QUE COMEÇOU a CONSTRUIR nas PRIMEIRAS INCURSÕES na COZINHA, na TAILÂNDIA”
Além do La Coppa, o polivalente chef é responsável por outro restaurante no próprio Allianz Parque: o Braza. Como o próprio nome indica, a pegada é churrasco, com cortes desde a picanha ao Tomahawk, passando pelo carré de cordeiro. “Uso muito da experiência que adquiri na Irlanda no que diz respeito a carne.” Nessa seara, é claro, não poderíamos deixar de ressaltar que, em um estádio, cuja torcida esbanja “italianidade”, a boa e velha dupla futebol e churrasquinho também caem bem.
FOTOGRAFIA: Romulo Fialdini.
EDIÇÃO DE MODA: Dani Almeida.
BELEZA: Paula Sabbatini.
TEXTO: Gisele Rech.
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