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Ney Matogrosso fala sobre novo álbum com exclusividade

Força imparável! Aos 83 anos em plena turnê, Ney Matogrosso divide sua energia coletiva com a banda Hecto em novo álbum

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Foto: @marcoshermes/divulgação

Se há uma definição para vitalidade, o seu nome é Ney Matogrosso. Com 83 anos nas mãos, completados em agosto deste ano, o cantor segue aprontando das suas, sempre se valendo do sorriso de canto de boca e da voz de quem sabe que remexeu na fundação da música popular brasileira. “Idade não é um problema, nunca foi uma questão. Eu vou e vou, até onde der”, dispara, sem dar confiança para os etarismos.

E ele vai. E vai. Tanto que lá se vai quase meio século desde o primeiro disco, “Água do Céu – Pássaro”, lançado em 1975, sem contar os anos fulminantes como voz do “Secos e Molhados”. Hoje, Ney segue com a turnê “Bloco na Rua” – que começou há cinco anos e foi sendo mutado em plena rota. A última versão ganhou consagração com casa cheia no paulistano Allianz Parque. Não que ele ainda precise de consagração, por supuesto. Mas encher um estádio com ganas de ouvir um medalhão da música brasileira, atualmente, é coisa para poucos: um feito reservado para fenômenos do pop ou turnês de despedida de carreira.

Longe do epílogo, Ney parece estar em todas. Do mesmo jeito que se tornou pedra fundamental da MPB, escolhe a persona meio outsider, meio fazendo a sua própria maré. O último disco, “Nu com a Minha Música”, saiu em 2021. Desde então, vem reforçando uma veia que abraça jovens compositores, letristas, intérpretes e empresta o seu holofote aos matches mais diversos. Grava um blues aqui e um tango ali, homenageia Pitty acolá, dá adeus aos Titãs em feat, vai com Criolo e rebrota em mil singles de personagens menos famosos. Sem permissividade, mas com vontades. “A questão de me envolver com tanta gente ainda desconhecida é porque sou livre. Sempre fui, é um direito que me dou”, define. “Não faço favores, gravo por que gosto.”

 

A última cartada vem ao lado da banda Hecto, formado por Guilherme Gê e Marcelo Lader. O duo, transitoriamente transformado em trio, lançou “Teu sangue” em agosto – prévia do álbum “Canções Para um Novo Mundo”, que desembarcou nas prateleiras em novembro. São nove faixas inéditas, mais um bônus com a versão deles para “Nada Será Como Antes”, clássico do Clube da Esquina, gravada em 2023.

Essa amizade transformada em colaboração criativa vem sendo fermentada há tempos. Mas “Teu Sangue” foi a mola propulsora, como definiu Ney, para alimentar o desejo de um trabalho inteiro, feito no primeiro semestre de 2024. “Fiz o arranjo já pensando na voz dele. Mandei nessa intenção, ele gostou e disse ‘se for gravar, me chama’”, conta Gê. “Deu tão certo, que o convite veio daí.”

“Vou nadando nas palavras do Guilherme. Tenho muita facilidade em transpor o pensamento dele, há uma compreensão das letras que é compatível com tudo o que penso”, diz Ney sobre o single, de alta carga política e sem grandes firulas, cantado sobre uma base guitarreira, mas com bossa: “É uma letra muito reta. Não tem nada inventado ali, é tudo verdade. Acho que a verdade é sempre necessária”.

Esse grande encontro não tem a pretensão de definir nada, porém sugere um caminho. “Este álbum é um grande questionamento. As letras falam muito criticamente de tudo o que está acontecendo e anseiam por um mundo diferente do que estamos vivendo, em que ninguém está satisfeito. Também fala sobre um novo Brasil, claro”, diz Gê. “E Ney se apodera de tudo de uma forma que é sensacional.”

Dominando tudo, o viço e o brilho do cantor é algo inegável. “E tem muita coisa gravada para a reta final deste ano, que ainda não saiu”, conta Ney, poupando-se de spoilers. O tempo não para, já dizia a música. Nem ele.

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