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Xamã: astro brasileiro ganha websérie e expõe sua mente criativa

A L'Officiel Hommes Brasil acompanhou as gravações no Rio de Janeiro, viu de perto o amor do público pelo artista e fez uma entrevista exclusiva, onde Xamã fala sobre seu processo criativo, sua websérie, suas referências na moda, o cenário artístico atual e muito mais. Confira! 

Xamã
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Revolução! Esse é o lema de Xamã, um dos maiores nomes da música nacional. Nascido e criado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, apesar de novo, tem muita história para contar e faz dela uma escada para o sucesso - é claro, com muito aprendizado, desconstrução, evolução e… revolução.  

De origem humilde, o artista possui uma jornada de pura batalha antes de se destacar nos palcos. Vivendo em metamorfose, Xamã já foi campeão de redação na escola, trabalhou como camelô de roupas, vendeu amendoim nos vagões de trem da capital carioca e, finalmente, se encontrou com a música por meio da poesia. Logo em seguida começou a participar de batalhas de rap pelo Brasil e, assim, conseguiu mudar o jogo de sua vida

Xamã
Foto: Divulgação FILA

Atualmente, há mais de um ano como embaixador da FILA, o músico de mente forte, criativa e magnética, acaba de ganhar uma websérie documental sobre sua trajetória: "Malvadão do Bem". O projeto, que estará disponível nos canais oficiais da FILA a partir do dia 8 de setembro, conta com três episódios que falam sobre sua vida, desde os primeiros sonhos musicais até o sucesso – quando se consagrou #1 do Brasil com a batida “Malvadão 3” (letra que, inclusive, inspirou o nome da produção).

A L'Officiel Hommes Brasil acompanhou parte das gravações no Rio de Janeiro, viu de perto o amor do público pelo astro brasileiro e fez uma entrevista exclusiva, onde Xamã fala sobre seu processo criativo, sua websérie, suas referências na moda, o cenário artístico atual e muito mais. Confira!

Xamã
Foto: Divulgação FILA

Como foi ter esse documentário sobre sua vida?

Revisitar momentos da minha vida sempre foi uma coisa que eu nunca imaginei que fosse acontecer assim, desse jeito… Lembro de alguns momentos que eu saía de casa pensando ''hoje eu vou batalhar na roda [de rap] de Botafogo'' e então passava a cidade toda de ônibus, chegava lá, batalhava… Hoje, depois de tudo, eu passo em frente a esses lugares e passa um filme na minha cabeça… É muito da hora revisitar todos esses momentos, e agora através do documentário.

Teve algum momento específico na sua trajetória que foi a grande virada e que você pensou ''esse é o meu Change the Game''? 

Tiveram vários gatilhos. Teve a  primeira vez que eu ganhei uma batalha, que foi a primeira vez que realmente ganhei dinheiro com rap. Depois foi quando lançamos o primeiro som, eu e Estudante, o momento da 1KILO… Foram pequenas explosões, mas nunca de uma vez. Acho que é isso, o artista estar sempre assim, nessa metamorfose…

Xamã
Foto: Divulgação FILA
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Foto: Divulgação FILA

Como você enxerga o momento pelo qual o Brasil está passando? E como acredita que isso tenha influenciado no cenário artístico?

Hoje em dia a internet nos ajudou muito, os canais online, o YouTube, ainda mais quando falamos sobre artistas independentes… Mas ao mesmo tempo todo mundo resolveu querer lançar coisas, usar recursos, tipo autotune, o que facilitou a entrada para o mercado musical... Eu sinto que, de certa forma, eu tenho sempre que manter o meu "potinho da criatividade" cheio. Antigamente eu tinha muitas referências da rua em si, depois comecei a usar um pouco mais de arte, coisas assim… Eu acho que o rap, assim como a moda, é uma forma de revolução. 

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Foto: Divulgação FILA

Falando sobre seu processo criativo, depois do grande sucesso de Malvadão, houve algum bloqueio? Você é mais de buscar algo específico quando está criando ou de deixar fluir com naturalidade? Você se cobra muito?

Quando eu me cobro não fica do mesmo jeito, não tem a mesma energia. Assim como o Malvadão, algumas letras do Poesia Acústica e outras do disco solo, são muito "relaxadas", letras que eu tento criar de uma forma autêntica. Quanto mais despretensioso, melhor. A composição sai mais relaxada e espontânea.

Você faz conexões super interessantes e diversas nas suas músicas. Você não se coloca numa caixinha de ''esse é meu estilo''. Como funciona isso para você? 

Eu sou músico de rua. Já toquei em restaurante, calçada, todo tipo de lugar… A música urbana transita. Uma hora você escuta um sertanejo, outra hora um rock, um rap, indie, tudo o que rola na rua não é uma coisa só. Aqui no Brasil tem muito isso, a gente nunca ouve um estilo musical só, então acabamos sendo essa jukebox… Não consigo me prender a um estilo, faço e ouço música sem restrições.

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Foto: Divulgação FILA

Quais são suas referências musicais?

Gilberto Gil, rock dos anos 80 para ouvir aquela batida boa, música carioca, como o pagode, o samba, coisas autênticas… Não me prendo só a um tipo de música.

Você fala muito sobre a desconstrução do rap. Como você enxerga isso? Existe um preconceito do pessoal que já está nessa área há um tempo?

Tem uma frase que a galera usa muito na moda que é "o novo assusta". E é real. As pessoas não entendem o que é novo de cara… No início falavam muito sobre eu fazer um rap mais romântico, com referências de filmes, mas o Marcelo D2 e Charlie Brown Jr. já faziam isso lá no início dos anos 2000. No acústico MTV usavam muito esse formato também, uma conexão de rap com rock, misturar rap com outros estilos. Acho que o rap, pelo fato de ser um estilo musical que tem menos de 50 anos, é novo e está sempre mudando. A gente sempre traz uma coisa nova pra ele.

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Foto: Divulgação FILA

Após a pandemia, como você vê o momento político atual do Brasil na questão social e cultural?

O governo, de certa forma, prejudicou bastante quase todos os artistas. A cena do rap, por exemplo, eu lembro das batalhas de rima e rodas culturais que aconteciam e que, a partir de 2019, já não existiam mais. Outras pessoas que virariam artistas e que poderiam estar compartilhando com a gente esse momento e não tiveram oportunidade… Aqui muita gente passou por muita dificuldade na pandemia… A classe artística, por exemplo, não conseguia trabalhar, não podia se apresentar, não tinha como fazer novela, filme… Para esse novo momento parece que a gente até se reeducou, aprendemos novas coisas, como trabalhar melhor, como valorizar mais o próprio trabalho, como aproveitar o momento que a gente está vivendo agora. É o renascimento em 2022. 

Você sonha com a carreira internacional? 

Sim, com certeza. O Brasil é um dos maiores mercados de internet e, no mundo, temos outros países que falam português, como Cabo Verde, Moçambique, Angola - onde já fiz até turnê - e isso faz com que o alcance da música brasileira aconteça mais fácil e onde tem brasileiro, tem o nosso som.

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Foto: Divulgação FILA

Além do estilo, você transmite ser um cara fofo, educado e delicado. Você sempre foi assim? Como você vê isso em relação ao tabu e ao preconceito?

Nem sempre! Foi uma coisa de tempo, a música em si, o rap foi quebrando um pouco das convicções que eu já tinha. Às vezes quando a gente vem de uma origem humilde, de um rolê que não temos muito dessa ciência das coisas, acabamos ficando segmentados. Eu, por exemplo, sempre gostei de rock, e no rock eu tinha Marilyn Manson como referência, pois ele sempre tinha uma forma de se comunicar com a moda e fazer a revolução dele através da roupa. Hoje faço isso, quanto mais referências eu vejo e ouço, vou trazendo para minha realidade (o fato de pintar as unhas, por exemplo, hoje em dia tem uma molecada que pinta e é uma coisa que há um tempo a galera via como proibida para homens, coisas que na verdade não vão mudar nada, é apenas uma questão de estética)… Você tratar uma pessoa bem não significa que você não é homem. Eu fui criado por nove mulheres, minha avó me ensinava muito sobre isso, sobre como eu devo me comportar, como devo ser gentil… Mas claro que não vou ser bobo também [risos], quem vier tentar pisar no calo eu vou passar por cima… Eu trabalho com música, tento levar alegria para as pessoas, fazer revolução,trazer uma forma diferente de pensar, um pensamento para desconstruir… Acho que a música faz muito isso com as pessoas…

Xamã
Foto: Divulgação FILA
Xamã
Foto: Divulgação FILA

Qual é sua proximidade com suas origens indígenas?

Eu conheci algumas aldeias. A Tucumã Pataxó me orientou em muitas coisas…  O povo Suruí também… Eu fiz uma apresentação no Rock in Rio neste ano com os Brô Mc's, que são Guarani-Kaiowá e são o primeiro grupo indígena a rimar em Guarani. Eu não tenho como fazer o meu resgate histórico porque não sei qual era minha aldeia, mas costumo fazer um "resgate espiritual", me oriento sobre o que é certo e respeitoso. 

Você tem alguma religião? No que você acredita?

Não tenho uma religião específica. Já fui tudo, crente, católico, já fui na macumba… Hoje em dia eu acredito mais em uma coisa interior, não me enquadro em uma religião. Já senti Deus muito mais dentro de mim espiritualmente do que indo em igrejas e outras coisas assim.

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Foto: Reprodução/Instagram @euxama

Em relação à moda, o que você gosta de vestir? Você consome esse tipo de conteúdo? Tem marcas favoritas ou referências de estilo?

Eu gosto muito de moda e vou aprendendo com o tempo, com as pessoas que trabalham ao meu lado. Eu gosto de ficar bonito, de me sentir bonito, sou vaidoso, gosto de arriscar coisas novas. No baile da Vogue, por exemplo, eu fui com uma saia grande, uma bota, um casaquinho, arrisquei… Sempre procuro não julgar antes de usar… Minhas referências de estilo são muitas… Travis Scott, Kanye West (não só de moda, como música) e A$ap Rocky.

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XAMÃ - MALVADÃO DO BEM

FICHA TÉCNICA:

GERENTE DE ARTE FILA - ALLYSSON FUKUMOTHI
DESIGNER FILA - ANDRE LUIZ PORTO ALEGRE
ASSISTENTE PROD. EXECUTIVA FILA - BEATRIZ LIET TAKAOKA CASELLATTO
ASSIT. FOTOGRAFO - DANIEL MARCELO DE OLIVEIRA SULIMA
STORYMAKER - EDUARDO CALIL BRAZ DE CASTRO DIAZ
MYND- FERNANDA DA SILVA SAMPAIO
PRODUTOR LOCAÇÃO - FLÁVIO CARVALHO CAETANO
PROD. EXECUTIVA FILA - FRANCINE STEINER
ASSIT. FILMAKER - GABRIEL AKIO YKEDA
RELAÇÕES PÚBLICAS FILA - GABRIELA NARDY SILVA
SOM DIRETO - JOÃO PAULO MENDONÇA
PRODUTOR EXECUTIVO - JOSÉ WILSON ROMÃO BESERRA
FOTOGRAFO - MARCUS VINICIUS SABAH DA COSTA
BRAND MARKETING FILA - MARIA CAROLINA MACHADO LAGO
ASSIT. FILMAKER - PEDRO HENRIQUE GUEDES DRYGALA
PRODUTOR EXECUTIVO - RAMON MATTOS PAULINO
STYLIST - TÂMARA GUZMÁN SANCHES
EQUIPE TÉCNICA - THALLES MATTOS PAULINO
FILMAKER - THIAGO JENNE CAVALCANTE MELLO
PRODUTOR XAMÃ - MATHEUS MERRELHO MONTEIRO
MAKE - ROBERTA DE MENEZES CASAGRANDE HERDEIRO
ILUSTRADOR: LUCAS FIACADORI

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