Carolina Bucci: Sua visão criativa e collab com a Audemars Piguet
Responsável por transformar uma antiga técnica de joalheria florentina no efeito Frosted Gold, Carolina Bucci tem colaborado com a Audemars Piguet em seu modelo preferido, o Royal Oak.
Era 2011 quando a joalheira Carolina Bucci se encantou com um relógio masculino no pulso de uma mulher, enquanto caminhava pelas ruas de Nova York. A italiana radicada em Londres descobriu que se tratava de um Royal Oak, criado nos anos 1970 pela tradicional casa suíça Audemars Piguet. O marido de Carolina conseguiu achar um exemplar e a joalheira começou a usá-lo diariamente, até que chamou atenção da marca, que a convidou para um projeto a quatro mãos.
Mantendo o design e o tamanho originais, nascia, em 2016, sua primeira contribuição, que tem como principal característica o acabamento Frosted Gold (ouro fosco ou martelado), inspirado em uma antiga técnica de joalheria florentina que ela já vinha reinterpretando nas próprias criações. Pequenos “dentes” são feitos na superfície do ouro com uma ferramenta com ponta de diamante, gerando um efeito “pó de diamante”. Carolina ajudou os artesãos da Piguet a transformar essa técnica em arte relojoeira e a levá-la para a caixa e pulseira do Royal Oak.
“Eu adoro o fato de que o acabamento florentino cria um efeito visual poderoso em diferentes iluminações. Isso significa que o relógio está sempre mudando e surpreendendo. Lembra-nos das qualidades do próprio metal precioso – maleável, quente e cintilante”, explica Carolina à L'Officiel, ressaltando que adora brincar com o antigo e o novo. “Acho que o relógio alcança perfeitamente meu objetivo de criar algo que chama atenção das mulheres de longe”, avalia. O acessório parece um bracelete chique e pode ser usado sozinho ou acompanhado de várias outras pulseiras. “Eu uso assim a qualquer hora e vejo cada vez mais uma postura confiante em como minhas clientes estão vestindo seus relógios”, afirma.
Carolina diz que a parceria com a marca suíça tem sido contínua desde seu primeiro encontro com o CEO François-Henry Bennahmias, em 2013. “O Frosted Gold é o resultado de uma ideia simples, porém difícil de alcançar e implementar. Mas, como você pode ver, quando combinada com a expertise dos artesãos de Le Brassus (a pequena vila no Vallée de Joux, na Suíça, onde a Piguet foi criada, em 1875), criam-se relógios excepcionalmente originais”, avalia. A seguir, a joalheira conta outros detalhes sobre seu trabalho.
L’OFFICIEL: Em sua opinião, como a aparência e a tecnologia de um relógio como o Royal traduzem a mulher contemporânea?
CAROLINA BUCCI: Eu acho que esta é a melhor expressão do que a mulher quer: a engenharia mecânica perfeitamente executada na embalagem mais luxuosamente projetada e finalizada. Não há necessidade de ênfase na aparência para dominar a tecnologia ou vice-versa.
L’O: Eu li que seu avô e seu pai deixaram em você uma paixão pela joalheria. Quando e como você percebeu que essa herança poderia se tornar sua profissão?
CB: Muito cedo. Eu costumava viajar para as oficinas da família com meu pai quando era jovem. Estudei design de joias na FIT (Fashion Institute of Technology), em Nova York, e quis ganhar experiência trabalhando e desenhando para outras empresas antes de retornar a Florença e começar o que se tornaria a marca Carolina Bucci. Continuar a tradição familiar foi uma motivação importante.
L’O: Como sua origem florentina influenciou seu trabalho?
CB: Florença é um centro de artesanato e cultura. Isso faz parte do DNA de qualquer florentino. A maioria das pessoas pensa em Michelangelo, na renascença e em Florença como um pedaço da história. Mas acho que há uma vontade de experimentar que também é importante. Os artesãos que conheço e com quem trabalho em Florença são alguns dos mais empolgantes e com visão de futuro.
L’O: Como você define suas joias?
CB: Dizemos que as nossas peças são “meticulosamente confeccionadas, usadas sem esforço”. Se as joias parecerem muito sérias ou exageradas por si mesmas, elas perdem o interesse para mim. Usabilidade é a chave. Tudo o mais é secundário. Qualquer um pode colocar um diamante enorme em uma moldura e chamá-lo de anel, mas não tenho certeza se é isso que eu chamaria de design em joalheria. Quero que as mulheres busquem minhas peças pela manhã, sem se preocupar em como vão se sentir ou como vão complementar seu look.
L’O: Quais são suas joias favoritas?
CB: Qualquer peça que carregue um significado emocional.
“Começo com uma imagem em minha mente de algo que quero para mim”. Carolina Bucci
L’O: Como funciona seu processo criativo e de produção?
CB: Eu sempre começo com uma imagem em minha mente de algo que quero para mim. Desenho alguns esboços bem toscos e envio para o meu joalheiro para discutir possibilidades. Depois de algumas ligações, reuniões e esboços refinados, ele faz um protótipo e então trabalho com o objeto físico para colocá-lo em uma fase que funcione para mim. Foi assim que a relação com a Audemars Piguet se desenvolveu no refinamento dos primeiros relógios Frosted Gold e por que me senti tão confortável em trabalhar com eles. É como se estivéssemos em casa!
L’O: Você vê uma mudança no significado de luxo após a pandemia de covid-19?
CB: Em termos de mercado de luxo, acho que a qualidade sempre vence. A covid-19, ou qualquer crise, acelera esse processo, mas a trajetória é sempre a mesma. O verdadeiro luxo tem a ver com a excelência do design, do processo artesanal e dos materiais. Sempre foi assim. O problema é que o uso excessivo e a má interpretação da palavra “luxo” podem confundir. Essa pandemia lembrou o que é mais importante para nós e, no mercado de luxo, isso sugere que as pessoas querem comprar coisas que tenham significado e poder duradouro.
TEMPO PRECIOSO
Quatro novos modelos que unem sofisticação e modernidade dois deles com o efeito Frosted Gold.
- O Royal Oak Frosted Gold Double Balance Wheel Openworked exibe três novas referências de 41 milímetros e duas de 37 milímetros, todas decoradas com um aro em arco-íris composto de 12 tipos de gemas multicoloridas, incluindo rubi, tsavorita, esmeralda, topázio, tanzanita, ametista e uma variedade de safiras coloridas. Cada uma das 32 pedras foi lapidada em baguete e, juntas, formam um precioso arco-íris.
- Outro modelo adornado com pedras é o Royal Oak Cronógrafo Automático em 38 milímetros, que estará disponível exclusivamente nas lojas da marca. É seu primeiro relógio de ouro rosa 18 quilates e um arranjo de ametistas de corte baguete. Sua caixa e pulseira de ouro rosa apresentam superfícies alternadas com acabamento polido e acetinado. O mostrador púrpura foi decorado com um padrão Grande Tapisserie em efeito camaleão. Os tons vão do rosa ao púrpura, passando por todas as diferentes nuances do azul, dependendo do ângulo do relógio e do jogo de luz.
- O mesmo padrão de mostrador, mas em azul, aparece no Royal Oak em ouro branco fosco 18 quilates com acabamento Frosted Gold. Marcadores de horas e ponteiros de ouro branco combinam com a caixa e o diâmetro de 34 milímetros oferece uma estética ergonômica perfeitamente adequada aos pulsos mais delgados.
4. Com o mesmo diâmetro de 34 milímetros há, ainda, o primeiro Royal Oak Automático para pulsos menores de cerâmica preta. O material, no entanto, vem sendo utilizado pela Audemars Piguet desde o fim dos anos 1980, quando a coleção feminina Bamboo recebeu diferentes modelos com pulseiras.