Outubro Rosa: reconstrução da mama na recuperação da autoestima
Especialista fala sobre a autoestima proporcionado as mulheres, pela cirurgia de reconstrução da mama
O mês de Outubro já é conhecido mundialmente pelo movimento Outubro Rosa - celebrado anualmente, com o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre o câncer de mama. Conversamos um pouco com o Dr. André Maranhão, médico cirurgião plástico, sobre a importância do diagnóstico precoce e como a reconstrução da mama auxilia na autoestima da mulher.
A cirurgia para reconstruir as mamas deve ser feita em qual momento?
Importante ressaltar que a cirurgia de reconstrução mamária é uma cirurgia plástica reparadora no seu compito geral, que tem por objetivo não só devolver o contorno mamário, mas também auxiliar na recuperação da autoestima das mulheres, sendo indicada após a mastectomia, em consequência ao tratamento do câncer. O procedimento cirúrgico leva em consideração a forma, tamanho e aparência da mama retirada, tudo para que o resultado final da reconstrução seja o mais natural possível. A cirurgia pode ser realizada de forma imediata, no mesmo dia a própria cirurgia da mastectomia quando as condições clínicas forem favoráveis. Ou, ainda, pode ser realizada no período de meses a anos depois, chamada de reconstrução tardia, quando houver a necessidade de algum tratamento ou confirmação diagnóstica que impeça a reconstrução imediata.
Tipos de reconstrução da mama? Quais existem?
Atualmente temos mais de seis tipos de cirurgia para reconstrução mamária, sendo que a escolha é feita sempre entre cirurgião e paciente, pois varia de um caso para outro o tipo ideal de reconstrução, avaliando o histórico da paciente, idade, quadro pós-cirúrgico e profissão, pois o estilo de vida também é sempre levado em conta. Entre os mais frequentes estão: as cirurgias de reconstrução do mamilo e da aréola, implantes mamários e retalhos cutâneos.
Como é feita a reconstrução das mamas?
A cirurgia pode ser realizada com a retirada total ou parcial da mama. O tipo de procedimento escolhido varia de paciente para paciente, porém existem três que são mais comuns: os que utilizam implantes de silicone ou expansores teciduais, e os que usam tecido (pele, músculo, gordura) de outra região do corpo para criar uma nova mama, chamado de reconstrução autóloga, ou mesmo o misto que associa ambas as técnicas para deixar a mama com aspecto mais natural. Também há técnicas complementares que podem ser utilizadas para reconstruir a área do mamilo e as aréolas, se elas tiverem sido afetadas pelo tratamento do câncer.
Qual o tempo de recuperação?
A recuperação é fator primordial para sucesso da cirurgia e todo tratamento. Mas a recuperação vai variar entre as pacientes, pois estará em acordo com o tipo de reconstrução realizada. Grande parte das pacientes sentem desconforto com mais cansaço e dores nas primeiras duas semanas. Passado este período, a rotina volta aos poucos, tendo normalizado as atividades mais complexas até oito semanas pós-cirurgia. Vale salientar que: quando a reconstrução é realizada para mulheres que tenham indicação de tratamento radioterápico após a cirurgia, devemos considerar um tempo mais prolongado, uma vez que a radioterapia pode gerar retração tecidual variável e mudança no resultado imediato conseguido.
Como é o pós-operatório?
O pós-operatório é o baseado em repouso relativo, cuidado e manutenção correta dos curativos, devendo ser alinhado a uma boa alimentação. Como em qualquer cirurgia plástica, a recuperação e amadurecimento tecidual podem levar entre um e dois anos para sua adaptação a área receptora, mas isso não significa que a paciente ficará limitada às atividades neste período. No tempo de recuperação, as pacientes fazem uso do sutiã específico para o pós-cirúrgico, bem como retornam para atividades físicas e profissionais de forma gradual. O que também consideramos importante para boa parte das pacientes (e familiares) é o acompanhamento psicológico, pois muitas pacientes precisam desenvolver aceitação e aprender a lidar com o novo corpo, envolvendo muitas questões emocionais que despertam ansiedade, entre outras emoções.
É possível reconstruir apenas uma mama?
Sim. O câncer de mama pode atingir uma ou as duas mamas. Quando afeta somente uma mama e é necessário fazer mastectomia, é possível sim reconstruir apenas a mama atingida. O trabalho do cirurgião plástico é de suma importância, porque irá buscar o resultado que leve em consideração o aspecto, tamanho e a posição para chegar a uma aparência mais semelhante à da outra mama. Se a paciente desejar, também é possível optar pela cirurgia plástica na mama contralateral para um melhor resultado estético.
A mulher pode amamentar depois da reconstrução?
Depende! A mulher que passa pela reconstrução parcial ou que faz a reconstrução com implantes de silicone e ainda possui algum tecido mamário, pode desenvolver a amamentação na mama operada. Tudo depende da quantidade de removido e o envolvimento do complexo aréolo-mamilar. Além é claro de se considerar viável a mama contralateral, se a mesma não tiver sido afetada em conjunto. Todo o tratamento é resultado de extensa investigação da equipe multidisciplinar (mastologista, oncologista, cirurgião plástico, psicólogo, nutricionista), devendo ser conversado com a paciente sobre os riscos e benefícios de cada abordagem potencial.
Por que casos existem onde uma reconstrução mamária tem efeito emocional?
O diagnóstico e tratamento do câncer de mama podem afetar diretamente na saúde mental da paciente. Um estudo do Observatório de Oncologia mostra isso, que mulher com a enfermidade têm de 10% a 25% de chance de desenvolver a depressão. Por isso, também é muito importante que a paciente tenha acompanhamento psicológico aliado ao tratamento. Claro, que varia de acordo com cada paciente. Mas definitivamente, quando se envolve uma equipe de cirurgia plástica visando a reconstrução mamária, o retorno psicológico gerado pela reconstrução é evidente.
Como a reconstrução mamária auxilia na recuperação da autoestima da mulher? As pacientes recuperam a autoestima?
Cada paciente reage de uma forma à notícia e ao pós-cirúrgico, pois a mama e sua estética trazem a simbologia de força, os seios são um símbolo feminino, então lidar com a ideia de retirada da mama mexe com a sexualidade, traz a preocupação materna e, sem dúvidas, abala a autoestima. Nesse ponto o cirurgião plástico é peça fundamental, pois realiza a cirurgia de reconstrução mamária, porém com ela conseguimos recuperar parte da autoestima e do sorriso da mulher. É emocionante encontrarmos a paciente e ver que ela se reconhece como mulher. A parte mais significativa do trabalho é ver a satisfação da paciente. É quando a mulher olha para a mama reconstruída e se sente inteira, com equilíbrio corporal. Ela volta a se reconhecer, se sente viva.
Dicas de prevenção:
Como em todas as enfermidades, para o câncer de mama existem métodos de prevenção. Destaco alguns deles: rotina de exercícios físicos regular; alimentação equilibrada; controle do peso corporal; evitar bebidas alcoólicas e tabaco; fazer exames periódicos para rastreamento do câncer, mamografia anual a partir dos 40 anos, podendo ser complementado com outros métodos de imagem.
Contudo, para mulheres com histórico familiar é necessário que inicie o acompanhamento mais cedo. É muito importante que toda mulher faça o autoexame, até para conhecer seu próprio corpo. É simples, mas não deve ser encarado como solução para tudo, pois o rastreio anual na rotina de consultas com seu médico clínico ou ginecologista faz a grande diferença no diagnóstico precoce e tratamento eficaz.