Hommes

Ilha da Madeira é um grande pomar que lembra a riqueza do Brasil

A Ilha da Madeira, no Sudoeste de Portugal, é um grande pomar que lembra muito a riqueza do Brasil

food food presentation sweets cream dessert frozen yogurt
Foto: Divulgação.

A Ilha da Madeira, no Sudoeste de Portugal, é um grande pomar que lembra muito a riqueza do Brasil. Confira! 

“Nesta terra, tudo o que se planta, dá!” – sacramentou Pero Vaz de Caminha ao descrever o solo brasileiro em sua carta logo depois que as naus lusitanas aportaram no litoral de Vera Cruz. Mas, justiça seja feita – a frase de Caminha também serve para ilustrar um pedacinho peculiar de Portugal: a Ilha da Madeira. 

A porção de terra circundada pelo Oceano Atlântico, com clima mediterrâneo e geografia de origem vulcânica, pode ser considerada um campo de cultivo a céu aberto, que foi semeado pouco a pouco por espécies trazidas de fora e que encontraram por ali o terreno fértil para se desenvolverem.

Talvez o potencial das uvas, com as quais se produz o vinho da Madeira, seja o primeiro produto local em que pensamos, mas a diversidade não para por aí. Duas outras bebidas superpopulares provenientes da região merecem atenção – a sidra e a aguardente que são produzidas, respectivamente, com maçãs e cana-de-açúcar cultivadas por aquelas bandas. Sim, não foi apenas no Brasil que os portugueses introduziram a cultura da cana. Na Madeira, além da aguardente, também se faz mel de cana, que chamamos de melado. 

Aliás, a maioria dos brasileiros pode não saber, mas a caipirinha tem parentesco estreito com a poncha, bebida típica feita com aguardente de cana, limão e mel ou açúcar.

food fruit plant produce cherry
Foto: Divulgação.

Na linha das frutas, uma das mais populares é a banana: são seis espécies no total e um volume de exportação para a Europa que, no ano passado, chegou a 18 mil toneladas. O maracujá é outra espécie com várias versões: são dez no total. Também há manga, abacaxi e até pitanga, vermelhinha e doce como a encontrada especialmente no Nordeste do Brasil. A anona, chamada por aqui de pinha ou de fruta-do-conde, reina nas bancas do mercado dos Lavradores. Aliás, vale muito a pena dar uma passada por lá quando visitar a Madeira.

Outro roteiro interessante é conhecer as fajãs, que são encostas cultivadas com frutas tropicais por todos os lados. A Fajã dos Padres, alcançada por um teleférico que conduz ao nível do mar, é uma das mais famosas e é possível se hospedar ou simplesmente almoçar no restaurante que usa os ingredientes cultivados na região para a elaboração dos pratos.

 No sentido oposto, na parte alta da ilha, mais precisamente no Jardim da Serra, o agrônomo Marco Gonçalves se dedica ao plantio de cerejas, mirtilos, framboesas, amoras e até flores comestíveis, como é o caso das capuchinhas. Sem falar nas maçãs, que resultam em safras artesanais de sidra. “A fertilidade dos nossos solos advém da sua origem vulcânica e também da grande acumulação de matéria orgânica promovida pela vegetação nativa durante milhares de anos”, explica.

food food presentation plate
Foto: Divulgação.

De acordo com Gonçalves, as espécies exóticas da Madeira vieram de diferentes partes do mundo, especialmente da África e da América do Sul, como é o caso das batatas. Aliás, há um fato curioso em torno delas: os madeirenses costumam chamar a batata crua de semilha, uma derivação de semente em espanhol, que vinha escrito nas sacas que chegavam para o abastecimento. O chef Octávio Freitas, que comanda o restaurante Desarma, com uma estrela Michelin no portfólio, é fã incondicional das matérias- -primas da terra onde nasceu e que leva as suas receitas servidas no espaço gastronômico do hotel The Views Baía. “Temos as melhores frutas da Europa. Os terrenos vulcânicos locais marcam a nossa fruta com uma acidez única, enquanto o sol e o clima mais tropical aportam doçura, ficando a fruta equilibrada e com aroma incrível.” De acordo com o chef, o potencial de aplicação gastronômico das frutas da Madeira é grande e não só em sobremesas. “As frutas também vão bem em pratos salgados porque podemos jogar com a acidez, tornando-os mais elegantes e identitários. Um exemplo na minha carta é a receita de uvas e beterraba, onde a acidez da uva é bem balanceada com a doçura da raiz tuberosa e complementada com queijo de cabra e frutos secos.”

 Na seara das sobremesas, o chef abraça a pitanga. “Na pré-sobremesa, o sorvete é como se estivéssemos colhendo a fruta diretamente da árvore. O gosto limpa a boca, preparando-a para o que vem a seguir.” Na linha dos doces, há ainda bombons recheados apenas com frutas madeirenses. “Mesmo espécies de climas mais amenos, como são as maçãs, ganham características de sabores profundos na ilha. Sou o maior fã desta terra e não consigo limitar a presença destes frutos nas minhas criações”, finaliza.

Tags

Posts recomendados