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Jessie Inchauspé em entrevista exclusiva para a L'Officiel Brasil

O livro de Jessie Inchauspé sobre como comer livre de culpa, sem afetar a saúde e ainda melhorando o bem-estar mental por meio do controle dos picos de glicemia, vira a febre do momento entre quem não quer deixar os carboidratos fora da rotina.

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Fotos: FANNY LATOUR LAMBERT / DIVULGAÇÃO

Imagine receber a notícia de que você pode comer a sua sobremesa favorita e a sua pizza de borda crocante sem ficar pensando que isso causará algum problema para a sua saúde a curto, médio ou longo prazo? E se alguém falasse que contar calorias é uma bobagem e que a ciência está aí para provar que isso é uma falácia em que muitos caem quando optam por dietas restritivas? Essas são algumas das afirmações impactantes de Jessie Inchauspé, bioquímica e autora do best-seller A revolução da glicose. Batemos um papo com o fenômeno também nas redes sociais sobre como ela chegou a cada uma de suas análises e se o jeito como o brasileiro come, diariamente, está dentro do método ou não.

L’OFFICIEL Qual foi a sua experiência pessoal para começar a estudar sobre o tema do seu livro A revolução da glicose - equilibre os níveis de açúcar no sangue e mude sua saúde e sua vida?
JESSIE INCHAUSPÉ Isso começou quando eu tinha 19 anos. Na época, eu me acidentei e fraturei a coluna, o que me causou muito sofrimento físico e mental. Isso fez com que eu me tornasse muito interessada em temas relacionados à saúde e o que podemos fazer para sentir bem-estar no cotidiano, pois eu não estava me sentindo bem no meu dia a dia e queria arrumar isso (risos). Comecei a estudar bioquímica para entender um pouco mais sobre o corpo humano. Trabalhei, posteriormente, em empresas do segmento da genética, na Califórnia, por cinco anos, o que também me ajudou a entender um pouco mais sobre o nosso DNA. Enquanto estive lá, tive a oportunidade de, aleatoriamente, testar um monitor de glicose. Isso realmente mudou a minha vida. Descobri que a minha saúde mental estava relacionada com os meus níveis de glicose e, desde então, comecei a me sentir muito melhor (quando os deixei estáveis). Foi assim, basicamente, que comecei.

L’O Ficar atento aos picos de glicemia após as refeições é uma boa estratégia alimentar para todo mundo?
JI Sim. Por muito tempo pensamos que apenas pessoas diabéticas deveriam se preocupar com os níveis de glicose, mas, recentemente, a ciência nos mostrou que isso deve ser algo para todos. Quando você aprende sobre os picos de glicose do corpo e toma atitudes para controlá-los, seu desejo de comer bobeiras diminui, sua fome diminui, sua saúde mental melhora, sua energia melhora, seus hormônios ficam mais balanceados, a inflamação diminui, você percebe a ação do tempo (envelhecimento) de forma mais lenta. Estima-se que 80% das pessoas que não são diagnosticadas com diabetes passam por picos de glicose diariamente.

L’O Existem outros benefícios em entender os picos de glicose em nosso sangue?
JI Acredito, e isso eu falo muito no meu livro, que o melhor em entender os picos de glicose é poder comer o que você ama, como sobremesas, sem impactar os níveis de glicose do sangue. É revolucionário! É como não precisar entrar em uma dieta para reduzir os picos glicêmicos.

L’O Você comenta no livro que não é importante contar as calorias das refeições. Então quer dizer que eu posso comer mais, se for na ordem correta, para evitar os picos de glicoses?
JI Isso mesmo. Caloria não é algo para focarmos, pois ela não nos diz o que a comida faz com o corpo. Se você comer a sua comida na ordem correta, e adicionar pratos que vão ajudar a diminuir os picos glicêmicos, como vegetais, você pode comer mais do que de costume e colocar o seu corpo em uma posição mais favorável para perder peso. Eu recebo muitos retornos dos meus leitores falando que agora conseguem comer o que querem e ainda perdem peso.

L’O Aqui no Brasil um café da manhã bem popular é o pão com manteiga e o café com leite. Para o almoço temos o prato de arroz, feijão, uma proteína e salada. O que você acha das combinações?
JI O ideal é adicionar ao café da manhã um pouco de proteína (como um ovo mexido), o que faz você se sentir muito melhor ao longo do dia. Sobre o almoço, acredito que esteja ok, porém, o ideal é começar a refeição comendo a salada e depois partir para o restante.

L’O Livros sobre dietas são controversos. Qual é a sua relação com a comunidade médica e científica após a publicação?
JI Quando algo novo surge, sempre aparecerão pessoas rejeitando a ideia. Mas, no geral, a comunidade médica e científica está muito feliz com o meu livro. Tenho recebido o relato de muitos profissionais que o usam para trabalhar com os seus pacientes. Os cientistas se sentem satisfeitos, porque achados da área estão mais facilmente disponíveis ao público leigo. Eu não faço descobertas. Eu catalogo achados que já existem e os traduzo para o público geral.

L’O Sobre ingerir água com vinagre, outro ponto abordado por você nas redes sociais, o que você poderia falar a respeito disso para ajudar a não passar por picos de glicemia?
JI O vinagre contém uma molécula, o ácido acético. Essa substância é muito legal se a ingerirmos antes das refeições, pois ela diminui a velocidade de quebra de certos alimentos, como o arroz ou o pão, em glicose. Em segundo lugar, faz com que os músculos atuem melhor na absorção de glicose, diminuindo assim os picos. Isso acaba fazendo com que o corpo queime mais gordura. Portanto, o vinagre é uma ótima saída para diminuir os picos de glicose, se consumido antes da refeição.

L’O Você tem outro projeto a caminho, após tanto sucesso do seu livro e de suas redes sociais?
JI Sim, porém agora não posso falar muito a respeito. O que posso dizer é para vocês ficarem ligados nas minhas redes sociais.

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