Casa de Criadores explora realidades distintas em nova edição
Confira todos os destaques do primeiro dia de Casa de Criadores!
Comemorando os 25 anos completados em 2022, a Casa de Criadores começou com um apanhado dos sinais diversos que deve explorar durante a semana, entre cenários e realidades ditintas de quem ocupa suas passarelas.
Guma Joana seguiu exercitando a pesquisa de transmutação de materiais e ucpcycling — segundo desfile presencial, com notável evolução. Continua seu jeito de pensar e fazer moda, que vai além de formalismos, mas ganha um refino na imagem que só acontece quando se dá tempo a uma jovem criadora se esmerar em público. Ela mesma se coloca esse desafio — “estou um pouco cansada em ser a figura apenas associada às festas e à noite”, diz — enquanto faz um paralelo entre criaturas do mar e as suas próprias criaturas raras, como chama, refletindo sobre a realidade da sua vivência como mulher trans. Daí entram as pesquisas de materiais — como os plásticos e metais — assim como o refazer de alfaiatarias e denim.
Em contraste direto , o Projeto Mottainai também se aplica nas refações — mas com orçamento razoavelmente maior e mais possibilidades de produtos. Estreando, Pablo Monaquezi já chegou com público fiel e um esquema montado de busca e re-produção para seu upcycling, normalmente baseado em peças antigas que são remodeladas à moda da casa (e de 2022), seja nas saias jeans ou nos paletós com recortes e volumes contemporâneos, ou em metragens antigas que rendem camisetas, além das intervenções/ilustrações feitas por Ione Dajun.
Retornando depois de 3 anos ausente, Diego Fávaro era prata da Casa com sua moda street masculina — agora, olhou para o lado e mirou nas mulheres: àquelas que gostam do Y2K e rever o estilo patricinha da época, de forma não-pejorativa, Diego entrega sua silhueta justa, as bolsas de alça curta (ele sempre foi esperto nos acessórios) e as experimentações com tingimentos manuais no denim. Uma boa surpresa esse retorno trocado — vale ver para onde essa nova fase vai.
Sempre na sua própria frequência, Ellias Kaleb encerrou a noite com um transe de natureza e sons ancestrais enquanto exibia as construções de texturas que faz bem — desta vez, inclusive na renda — revendo delicadezas orgânicas através dos tecidos.